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Seção CONTOS by Julienne Ago/2005 |
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A saudade que sentia dele era enorme. Seu corpo ansiava pelo toque das suas mãos, pelo roçar da sua pele na dela. Sentia falta do seu abraço gostoso, envolvente e dos seus beijos apaixonados, que sempre lhe tiravam o fôlego. Durante o dia, ocupada com o trabalho, conseguia por um tempo não pensar nele. Mas o aroma do café fresquinho, que ele sempre trazia para cama de manhã ou o cheiro da sua lavanda pós-barba, que sentia no banheiro mesmo depois dele ter saído, sempre mexiam com suas memórias. Por alguns segundos ela o via na sua frente, mesmo que estivesse no meio de uma reunião. Aquela tinha sido uma noite insone. Debateu-se por horas na cama, até que desistiu. Ligou a televisão. Sem prestar muita atenção ao que estava vendo, caminhou na esteira por um bom tempo. Tomou uma longa chuveirada. Leu o jornal enquanto tomava sua caneca de café. Saiu para trabalhar. Era cedo, resolveu ir a pé para o escritório. As ruas um tanto desertas, era aquela hora do dia quando podia apreciar a caminhada sem levar um esbarrão ou ficar se desviando de pessoas. Andou devagar, quando chegou no escritório estava mais tranqüila. Passou o dia concentrada no trabalho, evitando quaisquer distrações. No final do expediente, estava muito cansada mas menos tensa. Decidiu passar pelo pequeno restaurante perto de casa, pediu uma salada com frango grelhado para viagem e foi para casa. Abriu uma garrafa de vinho tinto, colocou um CD de jazz suave e sentou para jantar. Olhou os relatórios que tinha trazido do escritório, depois tomou um longo banho. Acendeu algumas velas no quarto e deitou nua, a janela do quarto aberta, deixando entrar uma leve brisa. As lembranças dele vieram ainda mais fortes.Com os olhos fechados, viu-o deitado ao seu lado. Seu sorriso largo, aquela covinha no queixo que tanto a encantava, os olhos negros brilhantes que sempre sorriam para ela. Sentiu a ponta dos seus dedos levemente traçando seu rosto. Sentiu o toque dos seus lábios nos olhos, na ponta do nariz, nas faces do rosto. Sentiu o gosto da sua boca, seu hálito quente, sua língua exploradora. Sem se dar conta, começou a se tocar. Como ele a tocava. Os dedos descendo lentamente pelo pescoço, fazendo sua pele arrepiar. Acariciando seus ombros, descendo pelo braço, às vezes dando um pequeno beliscão só para ouvi-la reclamar. Subindo pelo braço arranhando de leve, descendo em direção aos seus seios. Circulando um mamilo com a ponta dos dedos, prendendo o bico entre dois dedos, apertando aos poucos até arrancar gemidos de sua boca. Depois as duas mãos tomando em cheio os seios, entremeando carícias suaves com apertos mais fortes. Ele sabia o quanto isso a excitava. Seu corpo todo estremecendo de prazer, gemidos e pedidos de mais e mais. Por um bom tempo, ficou assim, acariciando os seios, apertando os bicos, sentindo a respiração dele um pouco ofegante no seu pescoço. Suas mãos foram descendo pela barriga, brincando com o umbigo, onde ela sempre sentia um pouco de cócegas. Sentia sua pele quente, pequenas gotas de suor se formando à medida que as carícias se tornavam mais intensas. Seus dedos tocaram os pelos pubianos. Se enroscando neles, acariciando a pele, puxando-os às vezes. Ficou ali por um tempo. Depois passou as mãos pelas coxas, bem suavemente. A pele arrepiada, sentia na ponta dos dedos a penugem fininha que as cobria. Afastando as pernas um pouco, passou os dedos pela parte de dentro das coxas. Devagarinho foi chegando perto dos grandes lábios. Abriu mais as pernas, roçando os dedos nos lábios inteiramente depilados. Essa era uma das taras dele, que ela sempre os mantivesse depilados. Ele gostava de sentir a maciez da pele, sabia que isso aumentava sua sensibilidade. Abrindo os lábios com uma das mãos, com a outra tocou levemente seu clitoris. Minha pérola secreta, como gostava de dizer. Começou a massageá-lo, lentamente. Sentindo-o ficar duro, intumescido. Apertando-o entre os dedos, esfregando-o, sua respiração mais e mais ofegante. Podia até sentir como ele gostava de prender seu clitoris entre os dentes, lambendo-o com a ponta da língua. Deixou depois seus dedos descerem para sua vagina, sentindo-a inteiramente molhada, quente, acolhedora. Enfiando dois dedos dentro dela, sentindo-a pulsar de tesão, lembrando que ele adorava lambê-la, sentir o gosto do seu sumo e depois beijar sua boca trazendo aquele cheiro enebriante de tesão. Com todas essas lembranças tão vivas, levantou os joelhos, abrindo bem as pernas. Com movimentos ritmados manteve dois dedos dentro da vagina e o dedão no clitoris, massageando, apertando, aumentando a pressão. Sentindo o corpo todo tremer, pressentindo a chegada daquele momento mágico, onde tudo ao seu redor desaparecia e apenas aquele ponto tinha importância. Quando o gozo chegou, em ondas sucessivas que lhe tiraram a respiração, ela o viu na sua frente. Chamou por ele, bem alto, um grito que mais parecia o urro de uma fera ferida. Quando seu corpo parou de tremer, sua respiração acalmando, ela chorou. Copiosamente. Lágrimas quentes inundando seu rosto, descendo pelo pescoço. Mais uma vez, ela o viu deitado ao seu lado. Viu seu rosto tranqüilo, feliz. Sentiu suas mãos a acariciando de novo. Sentiu seu corpo se aninhando no dela. Mas sabia que nunca mais o teria. Nunca mais deitariam abraçados, conversando por horas até adormecerem. Nunca mais acordaria nos seus braços. Porque ele só estava vivo na sua mente. E dentro do seu coração. Para sempre.
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