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Seção C O N T O S
O Dominador URSUS em: by Márcia Julho/2006 |
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Ursus não lembrava exatamente quando foi que confessou a um dos seus melhores amigos,o Quindim, que era um Dominador do universo BDSM Um autodidata, a bem verdade. Mas, mesmo assim, um Dominador. Talvez naquele dia em que bebera demais voltando do churrasco em Parelheiros. Nunca saberia ao certo. O fato, é que a revelação do seu segredo intimo, provocara no amigo uma tamanha obsessão, que Quindim, desde então, passava horas estudando, lendo, pesquisando tudo que lhe caísse às mãos sobre fetiches e BDSM em geral. Ursus observava com certo orgulho a mudança do amigo e, no seu modesto entender, achava que Quindim já nascera Mestre quando o assunto era mulher. Alto, meia idade, compleição franzina, o amigo era considerado "um doce" entre as fêmeas da espécie humana (daí o seu apelido). Mas Ursus sabia que por trás de toda aquela aparência inofensiva, Quindim poderia ser mais frio, duro e perigoso, que uma coxinha de rodoviária. Quindim queria ser um Mestre BDSM! Mas faltava o principal. Uma escrava! Na tentativa de ajudar o amigo, nosso herói procurou dias a fio nas salas de bate papo, ate que encontrou um Senhor disposto a emprestar uma de suas escravas, mas o tal Senhor impunha uma condição. Exigia que o pretendente fizesse antes uma demonstração de suas habilidades num jantar particular e fechado em sua casa, onde, assegurava ele, haveria local especialmente preparado para o que era pretendido. Foi assim que, numa noite fria de sábado, Ursus e Quindim tocaram a campainha de um elegante palacete no bairro do Morumbi. Foram convidados a entrar e apresentados a nada mais, nada menos que Dom Kornelius, o anfitrião, e sua esposa Anaconda. Nosso herói e seu amigo, foram conduzidos a uma grande sala de estar com diversos ambientes. Aqui e ali, confortáveis poltronas e sofás . Do lado direito, uma enorme lareira acesa tornava o ambiente mais aconchegante. Ao fundo, uma grande mesa de madeira escura tomava quase toda a parede. Atrás da mesa, um X também de madeira , de cujas extremidades pendiam correias para pulsos. Puderam ver ainda , que em frente à grande mesa havia uma mesa menor, com dúzias de canapés, iguarias e pratos extremamente convidativos. Dom Kornelius era um homem maduro, alto, magro, de mãos enormes e faces rosadas. Além de grande Mestre SM, era também um gourmet refinadíssimo, daí a importância que atribuía à comida, presente em todas as suas comemorações. Contudo, era também conhecido pelo seu caráter irascível e irritável. Lady Anaconda era uma bela senhora, cabelos platinados e feições delicadas, apesar dos muitos quilos a mais. Vestia uma túnica dourada que lhe chegava ate os pés e sorria muito para os convidados. Dom Kornelius pediu que os convidados se acomodassem nos sofás e posicionou-se atrás da grande mesa. Feito isso, chamou suas três escravas e apresentou-as aos convidados. Mas deixou clara uma coisa. Permitiria que fosse escolhida apenas uma escrava e, sob nenhuma hipótese, a esposa Anaconda, sua escrava favorita, deveria ser tocada, sob pena de severas conseqüências. Ursus e Quindim sentiram-se no paraíso quando 2 ninfas os rodearam alegremente com bandejas de drinques e comidas exóticas. Mas, subitamente, Ursus empalideceu! A terceira escrava estava um pouco afastada arrumando canapés num grande prato , mas Ursus podia vê-la. Era ela ! Clarissa. uma de suas primeiras submissas! Tiveram até que algumas sessões interessantes, mas ele conhecera a Suellinha e deixara de ligar. Tampouco respondera as ligações. Agora era tarde! Nosso herói de repente não soube mais o que fazer! Em pânico, correu para o lavabo e trancou-se lá tentando ganhar tempo, pensar em alguma coisa. Subitamente, as luzes do lavabo se apagaram! Ursus sentiu um frio no estomago e percebeu que não estava sozinho. Alguém respirava junto ao seu cangote e ele nem teve coragem de imaginar quem poderia ser. Sentiu imediatamente a presença da serpente. do pecado. o proibido. Uma língua traiçoeira sibilava junto ao seu ouvido e ele sentiu o perfume de Anaconda. Pressentiu a iminência do bote e abriu de chofre a porta do lavabo aterrissando no sofá ao lado do Quindim, que estava adorando a festa e, distraído, sequer imaginava o que se passava com nosso herói. Ursus respirava devagar, quando de repente escutou uma voz. angelical:-O Senhor aceitaria um canapé?
Em pé à frente dele, Clarissa segurava um grande e enfeitado prato e sorria aquele sorrisinho idiota que ele conhecia tão bem! Ursus olhou para as torradinhas e pareceu por um momento que o recheio estava se mexendo. Dom Kornelius aproximou-se nesse exato momento e explicou que eram canapés de ostra fresca, com "coullis" de nabo selvagem,"carpaccio" de abobrinha silvestre e marshmallow de enguia africana. O anfitrião sorria complacente e orgulhoso e aguardava que seu convidado apreciasse o prato. Ursus muniu-se de toda coragem de que foi capaz e colocou uma torradinha na boca, mas não conseguiu engolir.
Kornelius deu um grande abraço em seu convidado após essa demonstração de apreço culinário e a torrada escorregou goela adentro. Poderia jurar naquele instante, que sentiu a ostra fazendo cosquinha na sua laringe. Clarissa evidentemente, reconhecera seu antigo Mestre e sorria placidamente para ele. Ursus não pode deixar de sentir-se comovido! Ah, a alma submissa! Incapaz de guardar qualquer tipo de rancor, -pensou ele! Ao lado, o amigo conversava animadamente com as duas escravas, que riam muito. Observou que a comida também passava por ali. Mas Quindim realmente sabia viver. Ursus viu quando ele colocou furtivamente o "mousse" de papaia verde com "mousseline" de atum e framboesas no grande vaso de samambaias que havia ao lado do sofá. De repente, um acidente. Clarissa tropeçou, e o conteúdo dos pratinhos virou inteirinho sobre o nosso herói. Ursus afastou lentamente a cortininha de algas que descia agora pela sua testa pra compreender o que acontecia. Dom Kornelius chamava Clarissa e ordenava que se posicionasse em frente ``a grande mesa escura. A escrava tentava desculpar-se mas o Mestre foi implacável. Clarissa debruçou sobre a mesa e seu Mestre aplicou-lhe três vigorosas varadas de cane. Ursus juraria que ela sorria mais do que nunca enquanto era castigada. Impossível,devo estar vendo coisas, pensou ele! Lady Anaconda ofereceu-se para acompanhar nosso herói ao quarto, providenciar uma roupa limpa. Ursus sabia o que isso significava, mas não teve como recusar, e relutantemente acompanhou a dona da casa ao quarto. Infelizmente, a única peça disponível para o tamanho de nosso herói, foi um robe dourado, adornado de penugens de avestruz nas mangas, emprestado pela anfitriã. Sentiu que Anaconda aproximava-se sorrateiramente, mas dessa vez foi salvo por uma das escravas. Ela avisava que Dom kornelius queria começar logo a demonstração de Quindim e exigia a presença de todos na sala. Quando desceu as escadas, Ursus viu que Quindim já estava posicionado em frente ao grande X e dispunha seus acessórios SM sobre a grande mesa. A escrava já estava ao lado dele. Era a florzinha, a escrava morena e baixinha. Que sorte tinha esse Kornelius! Ursus observava o amigo de longe e estava com vergonha de aproximar-se.O robe dourado não fechava direito, aquelas pluminhas de avestruz entravam no nariz e faziam cosquinhas. Mas ficou observando meio que de longe.O silencio era total, todos só tinham olhos pro seu amigo! Quindim não fez por menos! Foi maravilhoso na exibição com cordas, demonstrou cuidado e perícia com os prendedores e finalmente, arrasou quando amarrou a garota ao X e fez o spanking! Nessa hora, nosso herói não agüentou! Mesmo a uma distância segura, foi ficando cada vez mais excitado e já não se continha. Distraído, foi se aproximando cada vez mais da mesa de madeira escura. Foi ai que aconteceu. Não viu o pé de Clarissa esticado à sua frente e tropeçou feio, aterrissando desta vez, sobre a "mousse " de javali selvagem, com "mousseline" de cebolas do pântano e "confits" de raiz forte. Em outras palavras, caiu de cara no pudim! O pior ! Não teve como disfarçar sua excitação porque, durante a queda, o robe abriu-se revelando mais do que seria desejável. Desnecessário dizer, que o constrangimento dessa vez foi total. Dom Kornelius, que ate então havia sido gentil e paciente, demonstrava visíveis sinais de desagrado. Nosso herói tentava recompor-se e quase não conseguia enxergar nada, os olhos lacrimejando devido à mistura ardida de cebola e raiz forte. Felizmente, tinha estado tantas vezes no lavabo esta noite que já sabia o caminho. No lavabo, lavou o rosto e os cabelos, os olhos ardiam. Desesperado, estendeu a mão para alcançar uma toalha tateando no espaço vazio à sua frente, ate que tocou em algo macio e rechonchudo. Apalpou um pouco mais e viu que na verdade, eram duas coisas macias e rechonchudas. Não quis abrir os olhos, e nem pode retirar a mão, suava frio! Sim, era ela. Anaconda estava à sua frente e talvez agora ele não pudesse resistir mais. De repente, o mundo veio abaixo! Dom Kornelius entrara de repente no lavabo e presenciara a cena. -Exijo explicações! -ele disse num tom alterado.
Ursus tentou balbuciar algo mas não conseguiu. Felizmente, nesse exato momento, Quindim apareceu, e com diplomacia, salvou a situação. Depois de mais esse incidente, os amigos despediram-se rapidamente e deram o fora o mais depressa que puderam. Na volta pra casa, Mestre Quindim quase não falava. Ursus também estava cabisbaixo e triste. O pé doía e ele tinha consciência de que estragara sem querer a grande noite do amigo. Ainda tiveram que pagar um mico quando entravam no prédio. Ursus mancava e Quindim apoiava o amigo com o corpo. Quando passaram pela portaria repararam nos olhares e sorrisos maliciosos que o zelador e o porteiro da noite trocaram entre si. Nosso herói ainda estava com o robe dourado com mangas de avestruz! Realmente, tudo estava perdido e a noite havia sido um desastre! Na manha seguinte, os dois amigos tomavam café ainda muito frustrados, quando a campainha da porta tocou. Era o zelador trazendo uma encomenda. Ursus recebeu o inesperado pacote e abriu ansioso. Quindim também estava intrigado. Era uma caixa maior, uma caixa menor e um envelope. Na caixa maior, a camisa que nosso herói deixara na casa de Dom Kornelius na véspera. Devidamente lavada e passada. A caixa menor, continha uma ou duas dúzias de "petit fours"de graviola, recheados com "marons"de goiaba verde e recobertos com "glace" de mamona do campo. Quando abriram o envelope, havia o seguinte bilhete: "Prezados amigos.Apreciamos muita sua presença em nosso evento da noite passada, e gostaríamos de informar que decido emprestar a florzinha (mas por uma noite, apenas. Que isso fique bem claro!) em dia e horário a combinar! Felicidades Dom Kornelius e Lady Anaconda " |
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