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Seção C O N T O S
Ursus, o dominador e Clarissa... a submissa. by Márcia Setembro/2005 |
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Ursus olhou-se ao espelho tentando posicionar-se par cortar um pelo rebelde que teimava em crescer no nariz... Sua imagem refletia um quarentão aloirado e peludo, com uma barriga cultivada a chopp e coxinha da padaria da esquina. Olhou-se mais uma vez e puxou com força a camisa do timão pra baixo, tentando prende-la na bermuda... -Tu tá gostoso, hein negão! Fala a verdade, meu- murmurou para si mesmo com indisfarçável orgulho... -Olhou o relógio, faltavam 10 minutos para as quatro da tarde. Clarissa, a submissa, estaria tocando a campainha pontualmente às 16 horas, como ele ordenara. Ele a conhecera num chat SM, na noite anterior, e passara o dia inteiro pensando naqueles coxões. Rapidamente, tentou dar um trato no ape, mas agora era tarde demais; jogou algumas almofadas sobre o rasgo do sofá, deu uma sacudida nos lençóis da cama, tentando espalhar as migalhas de pipoca que comera na noite anterior e sobretudo ... dar uma borrifada de Pinho Sol no banheiro. Às 4 em ponto, a campainha tocou. Era ela! Baixinha e gordinha, como ele vira na foto, coxas grossas, bunda imensa, como ele gostava. Branquinha, gostosa! Ela sorriu, um sorriso encantador. Havia algo verde no meio dos dentes de Clarissa, recuou espantado. Um pedacinho de couve à mineira. Pudera, segunda feira, dia de tutu de feijão. Entre, neneca! Ele disse sorridente, enquanto a conduzia pra dentro do apartamento. Como vai, tudo bem? Estou esgotada, ela disse. E deixou-se cair preguiçosamente sobre a poltrona cinza. Ursus escutou um algo como um gemido abafado, enquanto ela sorria timidamente. Nosso dominador, então, pediu à sua submissa para que levantasse e, sob as almofadas, lá estava ele, Ferocius, o valente chiuaua, companheiro de tantos bons momentos, jazia morto, esmagado. Sem que ela percebesse, Ursus rapidamente colocou o cãozinho morto dentro da bermuda e, numa manobra rápida, sentou-se na poltrona cinza, sorrindo para ela. Clarissa não chegou a perceber o que de fato ocorrera. A única coisa que reparava era que o volume dentro das calças dele, crescera consideravelmente, e ela olhava para aquele montinho encantadae embevecida, sorrindo maliciosamente no meio da sala. De joelhos, cadela! Ele disse com voz empostada. -Sim, meu Senhor - ela respondeu com uma vozinha sumida e cândida. Ainda atordoado pela perda do querido amigo, nosso Dominador tentou recompor-se e controlar a situação, sem que sua submissa percebesse que estava alterado. Assim sendo, viu quando ela ajoelhou-se, fazendo um esforço enorme, apoiada no sofá. Foi aí que escutaram um tlec! Seguido por gemidos de Clarissa. Ela dera um mau jeito no tornozelo e dificilmente conseguiria levantar-se sozinha. Ele aproveitou a situação, pediu licença e rapidamente correu para o banheiro tentando livrar-se do cachorro morto, que começava a incomodar dentro da bermuda. Na falta de um bom lugar para descartar o cãozinho, colocou o chiuaua dentro do bolso do roupão de banho, que ficava sempre atrás da porta, e voltou correndo paraa sala,tentando ajudar Clarissa. Ela ainda estava como ele a deixara. Ajoelhada, sem mexer um músculo. Porém, não era obediência, e sim, impossibilidade de mover-se em virtude do mau jeito no tornozelo. Ursus lembrou então, que no armário do banheiro havia um pedaço de emplasto sabiá que poderia servir bem numa situação daquela. Ordenou à sua submissa para que não se mexesse e foi correndo buscar o remédio. Colocou o emplasto no tornozelo dolorido e em poucos minutos, ela estava com aquele sorrisinho idiota outra vez. Ursus então, segurou no braço da sua submissa ajudando-a a levantar-se, como deve fazer um bom dominador. Ele a puxou pra cima, ela era muito pesada! Ele respirou fundo e novamente, tentou iça-la. Conseguiu, mas deixou escapar um pum que mataria de inveja os fabricantes de gás lacrimogêneo. Tentou disfarçar, arrastando a cadeira, assobiando. Olhou para Clarissa. Ela olhava o lustre, fingindo que não havia percebido. Tão logo ela ficou de pé, ele ordenou que ela arrancasse as roupas, o que ela fez com inacreditável rapidez. Foi aí que ele a esbofeteou uma, duas, três vezes seguidas. Olhou para ela. As bochechas estavam vermelhas, mas ela, mais que nunca, mantinha aquele sorrisinho idiota que tanto o irritava. -Volto logo; você vai ter agora o tratamento que merece, sua Vadia! Ursus deixou sua submissa amordaçada e algemada na sala e foi rapidamente à cozinha, procurar seu chicote de estimação. Revirou o armário de panelas, a despensa. Lembrou-se então que havia escondido seu brinquedo no congelador, para que Vanderlandia, a faxineira, não o descobrisse (sabe-se lá o que iria pensar). Lá estava ele, entre a caixa de hambúrguer e o último frango que comprara naquela promoção do supermercado. Entrincheirado entre os dois, mas intacto. Tentou puxar o chicote pelo cabo, mas não conseguiu. Teve então a idéia de ferver água e dar uma rápida descongelada na camada que recobria o chicote. Escutou de repente um barulho e correu à sala. Clarissa, a submissa, dormia no sofá. Pela mordaça, ele podia ver que ela babava. Talvez antecipando o prazer que teria, tão logo ele conseguisse descongelar o chicote. E mesmo dormindo e babando, ela conservava aquele sorrisinho idiota! |
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