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Seção C O N T O S
Colaboração: Sabrina Agosto/2003 |
Faz algum tempo que nos conhecemos... Mas ainda temos novas expectativas como na primeira vez que nos encontramos.
Por vezes quebramos limites muito tênues, simplesmente para avançá-los... O limiar entre a dor e o prazer também é assim: imperceptível para muitos, limítrofe para outros.
Nestes últimos meses temos tido muito pouco tempo para nós. As conseqüências são visíveis: irritabilidade, tensão,... Acumulam-se com o passar dos dias sem extravasar nosso desejo.
Mas esse fim-de-semana, combinamos, seria nosso. Perfeito. Planejado com detalhes...48 horas de extrema união, comunhão de corpos e mentes.
Na sexta-feira, à noite, eu já o esperava pronta. Bolsa arrumada, muita lingerie preta, como você gosta; nossos brinquedos separados, para nosso prazer; eu, completa. O enorme plug duplo vibratório que você me dera no Natal ocupava meu espaços, preparando-os para você. O short, em látex preto, mantinha-os exatamente onde deveriam ficar, até você decidir em contrário. A expectativa pela espera crescia, assim como a excitação que me consumia por dentro.
De repente, ouço a leve buzina. Você chegou...
Desço, apressada os poucos degraus que o separam de mim. E, meio sem querer ou pensar, ouso olhá-lo nos olhos... um erro fatal, um desafio! Mesmo após dois anos juntos, ainda não tenho a subserviência necessária a uma perfeita sub. Você não me disse nada. Nem precisava... eu sempre soube do modo como você encara estes códigos velados, as regras não ditas, mas impostas. Eu sabia que havia errado e, isso, por si mesmo já me consumia em culpa. E, pior, o prazer pelo qual tanto ansiara nos teus braços seria precedido por um belo castigo...
Baixo a cabeça e murmuro desculpas. Você não diz nada... mas empurra-me com gentileza para o carro. Entro e emudeço. Espero. Os minutos são longos até você voltar, dar a partida e deslizar o carro em direção a estrada.
Tínhamos planejado ir até a praia. Algo casual, pois não era o "nosso" ambiente, não era o canto que tão orgulhosamente montamos às nossas seções SM.
O carro deixa a civilização para trás. Você me olha e diz o que eu não imaginava esperar:
"Estou indo para o sítio. Já sabes porque, não é minha cadela?".
Minha cabeça ferve... A casa do sítio havia sido construída para nós. Projetada tendo em mente nossas necessidades. Era praticamente inacessível a quaisquer outras pessoas, de tão desabitado o local. O sótão, em pedra fria, também era um convite explícito ao sadomasoquismo. E, justamente, neste clima de "desobediência" eu seria levada para lá. Meu Mestre havia deixado implícito o quão proposital havia sido sua escolha solitária.
Ainda no caminho, Meu Mestre parou o carro em um refúgio na estrada. Sem falar nada, amarrou meus tornozelos e pulsos com tiras em couro, apertando-os ao extremo. Depois, os uniu através de uma corrente grossa, fazendo me ficar curvada no veículo. Antes que eu pudesse protestar, abriu a bolsa que eu mesma havia separado e, dela retirou um enorme dildo de borracha que fixou com um grande lenço em minha boca, improvisando uma mordaça incomoda e extremamente eficiente. Creio que o horror destes atos estava estampado em meus olhos, pois Ele com desdém, me disse:
"Queres ser vendada, também? Não me olhes, sua cadela!"
Não ousei repetir meus atos... Simplesmente fixei meus olhos para o chão e senti, agoniada, cada minuto passar como se horas fossem, até que vencêssemos a distância que faltava para a chegada ao sítio. A noite já caia alta e o frio típico da serra me fazia estremecer a cada movimento mais brusco com o veículo. O dildo com que tão prazerosamente havia me preparado para Ele, se tornava cada vez mais desconfortável, como se minhas entranhas fossem despedaçarem-se a qualquer instante.
Senti quando o carro parou junto ao portão, pelo tempo mínimo necessário para transpô-lo. Até mesmo o curto trajeto até a sede parecia longo demais nesta noite. O carro desceu o acesso às garagens, o mesmo que caminho que levava ao interior de nossa casa. Às escuras, senti sua mão me conduzir com brutalidade pela escada até o piso superior. Mantive minha cabeça baixa, mas tive grande dificuldade em transpor os degraus com meus tornozelos atados um ao outro. O percurso não poderia ser outro.
Nem mesmo passamos por quaisquer peças da casa...O objetivo era e foi chegar simplesmente ao sótão... frio, escuro e rico em detalhes típicos de um castelo da Idade Média, trazia histórias implícitas de medo, tortura e solidão. Não conseguia imaginar o que me aguardava para o fim daquela noite...
Meu Mestre estava sobremaneira cruel...
No sótão, fui firmemente atada a uma mesa em pedra de mármore, que muito lembrava um altar de sacrifícios. Meus pulsos, soltos por um instante mínimo, foram algemados a grandes argolas que pendiam das laterais da mesa. Minhas pernas tiveram o mesmo destino... E, ali, permaneci até o alvorecer do dia...
MEU MESTRE - Parte II
O cansaço venceu o medo e, desabando as resistências, apesar de todo desconforto, adormeci. Não tenho noção de quanto tempo se passou até seu retorno, ou até sua suprema vontade. Meu Mestre despertou-me com leves toques em minhas costas, um correr de dedos por toda extensão da espinha, chegando ao ânus com suavidade.
Desorientada, acordei sem ter certeza se vivia em sonho ou se a pura realidade me aguardava... Meu Mestre não exitou em providenciar a retirada do dildo que havia me dilacerado por toda à noite. Também buscou soltar as amarras que havia restrito meus movimentos durante a madrugada.
Sem palavras me levou até nosso quarto, onde finalmente pude banhar-me e realizar o desjejum. Mas a trégua era breve...
Retornei ao sótão a sua simples menção. Sabia que era o inicio de nosso fim-de-semana...um momento conforme Ele muito especial. Restava saber se meus limites seriam suficientes para aplacar toda ira e toda expectativa que Meu Mestre trazia consigo.
No sótão, tudo estava minuciosamente organizado para um show medieval da inquisição. Os aparelhos que meu Mestre possuía faziam inveja a Santa Sé de outrora: algemas, tornozeleiras e pescoceiras em ferro fundido; mesas em mármore branco; balancins de peso; contentores de braços e pernas; separadores; uma gama de chicotes, açoites e palmatórias; cruzes de madeira de lei; somados a uma extensa coleção de dildos e vibradores.
Fui conduzida a um local muito especial segundo Ele: a sala de preparação! Nesta sala fui novamente amordaçada, agora uma incômoda ball-gag que, além de não permitir ruídos, deixava minha boca seca com uma sensação permanente de formigamento. Também nela fui completamente depilada, sendo novamente lavada e "embalsamada" em óleo aromatizado.
Após este "tratamento", fui vendada de forma tão firme, que nenhum cintilar de claridade perpassava até meus olhos. Privada de dois sentidos - a fala e a visão - o tato se aguçara e estava muito mais sensível aos movimentos e aos ruídos que anteriormente.
Meu Mestre nada falava e, isto contribuía para angústia crescente que sentia dentro de mim. Ele conduziu-me, então, por entre a peça e algemou meus pulsos para cima, de forma que necessitava colocar-me na ponta dos pés para que não ficassem doloridos. A posição era dolente e, por isso mesmo, prazerosa para Ele. Imagino que tenha ficado cada instante observando meus movimentos, nua na sala, inutilmente tentando aliviar o que sentia. Para agravar a situação e, ampliar seu prazer, pesadas tornozeleiras foram fixadas em um separador grande e por fim em minhas pernas, de maneira que não tinha mais como ficar nas pontas dos pés com as pernas fechadas, apoiando ora uma, ora outra. Entre minhas pernas senti passar algo gelado, que se assemelhava a um banco, mas que tinha por função adentrar em minha vagina de forma dolorosa e cruel, cada vez que não resistia ao peso crescente de meus braços e pendia o corpo para baixo.
Não sei definir o tempo que passou, mas senti um alívio momentâneo ao ouvir a voz de meu algoz perguntar-me se queria ser tirada dali. Não ousei responder porque sabia que essa atitude somente o levaria a me esquecer por ali. Meu Mestre então passou a me questionar comportamentos, atitudes, ações... não havia como respondê-las com a ball-gag que ele colocara, então me limitava a balançar a cabeça, quase em desespero. Por fim ele soltou a grande corrente que fixava minhas algemas no teto e desabei sobre o tal banco, causando maior dor.
Pouco depois também fui retirada dali e, em pé, meu Mestre insistia em perguntar, quase no meu ouvido:
- "Você não sabe das regras? Por que as quebra sem o menor medo? Sabe que vais aprender de uma forma ou de outra, não é mesmo minha cadela?"
E o açoite chicoteou minhas costas sem que eu esperasse...levando a ter uma reação já esperada: fugir, me encolhendo contra o chão. Meu Mestre se descontrolou por um instante...
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