Seção C O N T O S

Colaboração: Sabrina

Agosto/2003


Dessa vez eu não escaparia

Meu Castigo, meu desejo...

Dessa vez eu não escaparia...

Assim que cheguei em casa, o vi. Ele estava em pé, próximo a janela, bebericando um copo de vinho branco, o olhar duro, gélido. Eu morria por aqueles olhos, que podiam ser tão doces e tão duros. E assim que eles pousaram em mim, abaixei a cabeça e estática no lugar onde estava, congelei. Sem muitas palavras, ele ordenou que eu fosse tomar um banho e o esperasse no quarto.

Entrei no chuveiro e deixei a água quase fria bater no meu corpo por um bom tempo. Sabia, no meu intimo, que estava apenas prolongando a agonia que estava por vir.

Lavei meus longos cabelos com o shampoo de ervas que ele tanto gostava, me ensaboando por duas vezes para ter certeza que nenhum outro cheiro ficaria no meu corpo, espalhei uma boa quantidade de óleo de macadâmia pelo corpo e sai do banho. Quando cheguei ao quarto, com os cabelos ainda pingando, vi o que me aguardava.

Meu Senhor estava em pé perto da cama. No criado-mudo, o fino chicote, entre outros apetrechos, se destacava.

Na cama, as algemas, as tiras de couro, a venda e a mordaça faiscavam a meia luz. Pareciam falar por si mesmas: antecipavam a tortura implícita em cada objeto. Sem uma palavra, ele se aproximou e encostou o rosto levemente nos meus cabelos. Com o cabo do chicote, puxou a toalha que caiu ao chão. Cutucando minhas costelas com o cabo do chicote, para lembrar-me que o usaria. Em leves empurrões, fez com que me deitasse na cama de costas. E, sem muita demora, algemou meus pulsos à cabeceira da cama, com os braços bem abertos.

Amarrou meus tornozelos com as tiras de couro, as pernas bem abertas, às laterais da cama. Na minha boca colocou uma pequena bola de borracha e passou a echarpe por cima, amarrando-a fortemente atrás da cabeça, com uma certa brutalidade. A venda impediu de prever quaisquer de seus atos. Seus gestos denunciavam sua impaciência e a gravidade de meu impensado ato.

Senti que alguns dos fios de meu cabelo ficaram repuxados presos pelo nó da echarpe. Fechei os olhos e esperei. Sabia o que iria acontecer. Jamais deveria tê-lo desafiado desta forma. Atrasando-me para ele, para sua chegada, ofendi e destratei-o. Meu Amo e Senhor...

E sem esperar por tamanha força, senti a primeira chicotada arder no meio das minhas coxas. O corpo endureceu num espasmo. Sabia, no entanto, que desta forma seria muito pior. Quanto mais enrijecia meus músculos, mais forte sentiria as chicotadas. Então amoleci o corpo e aguardei a próxima chibatada. Que acertou o vão entre as pernas. E mais outra, no meio das coxas de novo. E depois subindo. Sistematicamente, ele me açoitou subindo e descendo pelo meu corpo. As chicotadas era fortes, o suficiente para causar uma dor muito fina e lacerante, mas não forte o suficiente para rasgar a pele. Sabia que era o início de uma prolongada noite.

No dia seguinte só restariam alguns pequenos vergalhões vermelhos que logo sumiriam. E ele teve o cuidado de não tocar em nenhuma de minhas zonas de prazer por tempo suficiente para me dar prazer - aquilo era um castigo, e não um prêmio! Satisfeito com esse castigo, ele desamarrou as tiras dos tornozelos, tirou as algemas e a venda. A mordaça improvisada continuou tampando minha boca, enquanto ele me fez virar de bruços. Algemou meus braços junto a lateral de cada perna, dobrando-as ligeiramente, atando nos tornozelos. Ele fez isso tudo sem dizer uma palavra, calmamente, o olhar duro. Eu sentia o desconforto de minha pele machucada roçando a colcha da cama, meu clitóris ardia em fogo, esperando um prazer não sentido.

E agora eu não sabia o que ele faria. Sem coragem de virar a cabeça para olhar nos olhos do Meu Senhor, fixei-os a parede à frente. Ele passou o chicote levemente pelos meus ombros, descendo pelos braços, um de cada vez. Depois pelas costas, que ao toque suave do couro, imediatamente ficaram arrepiadas, arqueando-se. Ele ficou ali por um tempo, passando o chicote por toda extensão de minhas costas até o início do ânus. Eu me contorcia um pouco, arfava, com corpo tentando acompanhar o movimento do chicote, embora muito restrita em meus movimentos. Aí, ele desceu com o chicote pela minha bunda, passando por dentro das coxas, indo até os joelhos. Meu corpo reagia violentamente a essas carícias tão estranhas - nunca pensei que um simples chicote pudesse me causar um prazer tão intenso. Ele voltou com o chicote pela parte interna das coxas, e deixou que tocasse levemente meus grandes lábios, acariciando-os. Agora virara o chicote e de uso de seu cabo, abriu os lábios deixando a mostra meu clitóris, que roçou com o cabo. Eu gemia baixinho, antecipando o gozo que sentia vir. Os sons dos meus gemidos eram abafados pela bola na minha boca, mas não passavam despercebidos a Meu Senhor. E de repente, Meu Senhor parou.

Largou o chicote sobre a cama, e ficou ali parado, olhando-me de cima para baixo, esperando que o meu corpo parasse de tremer. Eu podia sentir seus olhos queimando sobre meu corpo. Depois de um tempo, sentou entre as minhas pernas e enfiou um dedo na minha buceta, ainda molhada. Enfiou com força, quase uma brutalidade, indo o mais fundo que poderia, e retirou o dedo. Levou o dedo a sua boca e o chupou lentamente. Depois, enfiou dois dedos, ainda com força. Retirou-os de novo, esperou mais um tempo. Eu podia sentir minha buceta pulsando, quente.

E então, lentamente, foi forçando minhas pernas a se abrirem ainda mais, foi enfiando os quatro dedos, girando sempre a mão um pouco, de um lado para o outro. Minha respiração se alterou, ficando cada vez mais ofegante, antevendo o prazer que o fisting sempre me causava. Eu desejava sentir a mão do Meu Senhor toda dentro da minha buceta, forçando as paredes aveludadas, os movimentos suaves. E quando ele estava chegando no ponto que eu tanto gostava, parou abruptamente. E retirou a mão, forçando-me a olhá-lo nos seus olhos. Esse era o meu castigo maior...

Eu sentia meu corpo implorando pelo prazer, pelo gozo que quase tinha alcançado. E meus olhos se encheram de lágrimas. Pela decepção, pelo tesão subitamente cortado, e pela certeza contida de que mais a esperava. Meu Senhor, pacientemente, esperou que eu me acalmasse, que meu corpo relaxasse, que minha respiração ficasse menos ofegante.

Minha cabeça jazia, quase desfalecida sobre os travesseiros. Meu Senhor retirou os travesseiros para colocá-los embaixo de minha barriga, o que mesmo contra minha vontade, me fazia abrir ainda mais as pernas.

Ouvi e senti o Meu Senhor levantar da cama, ir à direção do banheiro, mexer no armário onde guardava seus cremes e óleos, para depois retornar. Senti, ainda, que ele estava tirando sua roupa, ouvi o zíper da calça sendo aberto, os sapatos sendo tirados, tudo vagarosamente. Senti quando ele, novamente, subiu na cama e se ajoelhou entre minhas pernas.

E, senti a força da sua mão espalmada na minha bunda. Impiedosamente, foram dadas quatro palmadas fortes, duas em cada lado, palmadas que encheram meus olhos de água.

Depois ouvi quando ele esfregava uma mão na outra, deslizando com óleo. Suas mãos foram passando o óleo pelo meu cu, esfregando-o lentamente, deixando-o completamente lambuzado. E com um dedo, começou a massageá-lo, suavemente a princípio, depois com mais força. Enquanto um dedo ia forçando a entrada do meu cu, com a outra mão Meu Senhor roçou levemente meus grandes lábios, tocando ligeiramente meu clitóris, a entrada da minha buceta, excitando-me. Eu comecei a gemer, a mexer os quadris. E senti mais uma palmada forte que fez com que eu quase perdesse a respiração.

'Quieta cadela!'.

Sentia suas mãos agora na minha bunda, lambuzando bem meu cuzinho, massageando com mais força. E logo a seguir, ele enfiou um dedo todo dentro dele. Depois dois. Os movimentos lentos, mas fortes. Eu sentia meu cu se arregaçando, abrindo cada vez mais. Depois senti algo mais grosso - um plug enorme, sendo enfiado com força, com movimentos circulares. As dores que o plug causava nas paredes do meu cu se misturavam com o prazer que eu sempre sentia em ser enrabada. Mas eu não ousava me mexer sem Ele ter permitido.

Depois de um tempo, que não sei expressar, o plug foi retirado. E eu senti então a cabeça do pau do Meu Senhor começando a forçar sua entrada em meu cu já bem arregaçado. E ele não foi gentil como sempre. Sabia que o caminho já estava bem aberto, e enfiou seu pau fundo, de uma vez só. Mesmo com toda a preparação, eu senti uma dor fina, que ia das suas entranhas até a boca do estomago. Sem me dar um tempo para me recuperar, Meu Senhor foi entrando e saindo com seu pau, em fortes estocadas, mas ainda lentas. E a dor foi passando e o prazer voltando. E com o ritmo aumentando, eu podia sentir o prazer que isso causava ao Meu Senhor. Ele, como eu, sempre sentia um enorme tesão nesse ato. Mas ele sabia, que para eu alcançar o orgasmo tão desejado eu, na maioria das vezes, tinha que massagear meu clitóris.

E agora, com as mãos presas, eu não podia fazer isso. E nem ele fez. As mãos segurando-a pelas ancas com força, as estocadas cada vez mais rápidas e mais profundas, meu tesão preso, sem conseguir se soltar, enquanto sentia os jorros fortes do gozo do Meu Senhor dentro do meu cu. E enquanto gozava, ele gritava:

'Sua cadela! Sua puta! Nunca mais me desobedeça...'.

E depois de saciado, ele saiu de dentro de mim e se sentou encostado na cabeceira da cama. Eu podia sentir o cheiro do seu gozo, sua respiração profunda ainda ofegante. Mas não tinha coragem de levantar o rosto para olhá-lo.

Então, ele retirou as tiras de couro, puxou-me para perto da cabeceira, algemando minhas mãos juntas e pondo-as presas também na cabeceira com uma tira de couro. Puxando meu corpo de maneira que meu rosto descansasse nas mãos, manteve os travesseiros por baixo do meu peito, me fez levantar bem a bunda, e pela primeira vez falou diretamente a mim, dando ordens: 'Não vou amarrar suas pernas. Deixe-as bem abertas e não ouse fechá-las, entendeu minha puta?'.

Eu acatei com a cabeça que tinha entendido e abri o mais que pude as pernas, empinando bem a bunda. Com o rosto enfiado nas mãos, esperei pelo que viria a seguir. Meu Senhor percebeu minha rendição e, para prolongar meu castigo, deixou-me por um bom tempo naquela posição, a qual não atreveria me mexer. Levei um susto ao ser, mais uma vez, castigada com a chibata de couro que batia sem cessar na minha bunda, enquanto Ele mantinha minhas pernas presas com sua mão e seu próprio peso.

Ele então retirou o travesseiro debaixo de mim, tirou as algemas, desamarrou a echarpe e retirou a bola da minha boca, puxou a colcha, e colocou-me deitada de costas, prendendo de novo meus braços, mas desta vez bem mais soltos. Mas não o suficiente para que eu alcançasse minha buceta e pudesse me tocar. Na buceta e no cu, preencheu meu espaços com plugs enormes, fixos com um grande cinto de castidade feito com tiras de lençol e echarpes, que não permitiam que eles saíssem de seu lugar. Cobriu meu corpo com a colcha, passou sua mão levemente por meu rosto, desligou a luz e saiu do quarto. E, deixou-me ali, sozinha, sem ter sido saciada em meus desejos mais profundos. Esse tinha sido um castigo que eu jamais me esqueceria.

Somente no raiar do dia Meu Senhor retornou. Lentamente foi retirando as amarras, sem falar nada. Acordei meio assustada, pois não sabia qual seria sua atitude. Ele obrigou-me a levantar e colocou-me de quatro, oferecendo todo o prazer e gozo que havia me negado durante a noite.