Existem pessoas que quando pensam em levar uma vida submissa, na realidade não sabem o que pode estar por
vir. Se dedicar a um homem, aquele, ao qual passa a ser denominado de Dono ou Senhor pode não ser tão
fácil quanto se imagina e isso, aconteceu comigo...
O meu Mestre é instável, imprevisível, seu humor é uma variante que me assusta algumas vezes. Não que ele
seja grosseiro, muito pelo contrário, mesmo diante das suas exigências constantes, sempre consegue manter o seu lado doce, suave, sereno, seu tom de voz me enlouquece e o seu olhar sublime invade cada vez mais
os meus sentimentos e desejos carnais.
Mas isso tudo, apenas para lembrar o que me sucedeu quando dei início a minha entrega.
Foi uma das primeiras vezes em que ELE me pegou de surpresa o que, por sinal, deve satisfaze-lo ao
máximo, quando me deixa sem rumo, completamente desnorteada...
Enfim, era uma tarde de sol, um dia tranqüilo de outono e eu, como todos os dias, estava trabalhando
quietinha em meu computador, fazendo alguns relatórios, respondendo e-mails quando ELE, do outro
lado da cidade, sabendo da minha rotina e costume adentrou sem qualquer cerimônia a tela do meu programa
e num rompante me perguntou.
- O que está fazendo minha doce luna?
- O de sempre meu Senhor, não mudaria um segundo de minha vida sem a sua permissão, não me seria possível, não me é permitido controlar os minutos ou cada passo, cada reação, ato ou atitude, não tenho desejos e lhe pertenço, eu respondi...
- Apenas como resposta veio a seguinte palavra... Sorriso...
O que instantaneamente me fez sorrir, sabia que o tinha agradado mas, o especial estava ainda por vir e,
sem delongas, li a sua segunda mensagem...
“Sinto-me entediado e por isso achei melhor preencher ainda mais o seu dia... Resolvi lhe dar um presente e sei que você vai adorar... Coloque os seus clamps, permaneça com eles durante três horas ininterruptas,
vamos explorar o seu limite de dor. Só tem um porém minha querida, não lhe permito o toque, não desperdice o que é meu... o seu gozo me pertence... não pense que serão momentos apenas de tesão e prazer..
Obs: Quero esses clamps bem apertados.”
E, após dito e enviado aquelas palavras, simplesmente ELE sumiu, havia desligado, com a mesma rapidez que
havia invadido o meu dia através de um computador conectado a uma rede.
E foi exatamente assim que aconteceu:
Meus mamilos naquele instante estavam presos, o tesão começava a subir e extasiar todo o meu corpo, num
prazer sem resposta, mudo, solitário, sem direito a gemidos. Algo que não podia ser correspondido...
Uma dor suave e instigante, que duraria apenas os primeiros dez minutos...
Havia chegado o momento em que a sensação já não era mais agradável, ter que usar pequenos prendedores de
metal em meus seios, a dor tornara-se incessante, ainda provocava o meu tesão, mas, chegaria uma hora em
que ela se tornaria mais aguda, os bicos dos seios ficariam mais sensíveis por estarem tão apertados
entre as garras grudadas numa das partes mais sensuais do meu corpo.
Repentinamente lembrei-me que aquela sensação prazerosa, inicialmente, tinha tomado conta do meu ser
quando Ele havia me surpreendido com a abrupta mensagem e ordem enviada... só que as coisas começavam
a mudar...
Sentia-me completamente abandonada com a minha dor física e, agora, sem o prazer.
Já estava com os prendedores há 20 minutos em meus seios, simplesmente aceitando, subestimando por
completo a minha natureza feminina, sentia-me cada vez mais só sem poder me tocar, não poderia ir alem do que me havia dito e era permitido.
A minha respiração ofegante parecia ajudar a dor que estava cada vez mais crescente. Não estava mais
conseguindo me concentrar no trabalho, a dor aumentava a cada minuto, já não sentia mais o tesão correr pelo meu corpo.
Aos poucos a dor tornava-se cortante, lancinante, deixava de ser prazer e passava a me parecer um
castigo, não sem motivos, mas, pelo tédio que ELE sentia...
Eu mesma não entendia porque não me permitia retira-los, não sabia mais se conseguiria suportar e
obedecer ao meu Dono e Senhor, já havia passado meia hora, os minutos eram poucos. Eu começava a
lamentar...
Sabia que ambos, eu e ELE, estávamos testando os meus próprios limites...
A minha desconcentração era total, não conseguia fazer mais nada ...
Por fim, depois de uma hora, ainda me restavam duas, mas, de qualquer forma havia falhado, não consegui e
os tinha retirado juntamente com a sensação de alívio e vergonha que acabar de brotar dentro de mim...
Enviei uma mensagem de volta... Estava desapontada comigo mesma.
“Perdoe-me Sr,
Não agüentei, a dor era terrível, passou a ser
insuportável...
Me desculpe.
Sempre sua...
Luna “
O dia se passou e nenhuma resposta de volta... somente me restou espera-lo chegar...
...
Ouvi o barulho da porta, o esperava como de costume, de joelhos, costas viradas pra porta e com o coração
na boca...
Nenhuma palavra, nenhum gesto... Havia passado direto por mim, tinha ido ao armário buscar os clamps e um par de algemas, me deu um beijo suave e disse...
Vamos ver se agora não suportará pelo menos duas horas minha doce e querida luna.
Após ter me algemado, mandou-me sentar no sofá, com as pernas ligeiramente abertas, nua, totalmente a sua
mercê.. me amordaçou para não ouvir meus lamentos e nem meus pedidos de suplica para retirar os prendedores que agora ELE mesmo havia colocado em meus seios...
E depois de terminada a primeira hora Ele admirava calado as lágrimas molhando
Suavemente a mordaça e as maças do meu rosto...
Estava silenciosamente me ensinando a não desobedece-lo e a encontrar o caminho da verdadeira
submissão.
Luna – 12/04/2002.