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Não enxergo nada além de um imenso escuro, um escuro que me assusta e angustia. No escuro os barulhos se tornam mais intensos. Ouço carros, longe; ouço uma televisão ligada em algum quarto próximo; ouço um gemido de mulher... A venda de veludo preto me aperta um pouco os olhos, mas isso é o que menos incomoda. Mais uma vez um tremor assalta meu corpo, e sei que ele não vem do frio, nem da sensação da colcha gelada sob meu corpo nu. Tremo de ansiedade e medo, tremo pela espera, tremo pelo que pode vir.
As ordens Dele foram claras. Definiram o horário em que eu deveria chegar ao motel, em que quarto ficar, como deveria estar quando Ele chegasse. Até este momento cumpri à risca tudo o que me foi ordenado. Tirei toda minha roupa, passei o óleo de amêndoas em meu corpo e a essência de jasmim em meu sexo. Deitei-me nua; à exceção da fita negra que devo trazer sempre ao pescoço quando O encontro; sob a colcha de cetim, coloquei a venda que Ele me entregou em nosso último encontro, e agora tudo o que posso fazer é esperar. Quanto tempo será que já se passou? É estranho, não consigo saber se foram alguns minutos ou talvez uma hora. Sinto frio. E não devo me cobrir. Tenho sede, também, mas se me levantasse para pegar água e Ele chegasse... O gosto do conhaque que tomei em casa, antes de vir para cá, ainda está em minha garganta. Tomei para ter coragem, eu sei. Tinha medo de fraquejar, e acabar não indo ao encontro, o que O deixaria muito bravo comigo. Ouço um carro parando. Alguém na escada... Passos rápidos, o barulho da porta se abrindo. É Ele! Sinto um vento entrando, me arrepiando a pele. Cerro os mãos, apertando a colcha, e tento controlar o impulso de me levantar e sair correndo dali. Não, eu quero ir até o fim. E fico deitada, todos os sentidos em alerta, percebendo os movimentos Dele pelo quarto. Ele liga alto o rádio e a TV, mil barulhos a me desnortear, e novamente sinto a corrente de ar; o que será que Ele foi buscar? Penso em tudo o que já fez comigo, e tento descobrir que nova experiência me espera. O vento entrando mais uma vez me indica que Ele voltou. Ele bate a porta, me assustando com o barulho. Minha respiração está acelerada. Estremeço quando sinto Sua mão segurando meu queixo, virando meu rosto para verificar se a venda está bem colocada. Ele passa a mão pela minha boca, e a deixa lá, para que eu a beije, e agradeça sua presença. Ouço um barulho metálico, e sei o que virá. Sinto o contato frio em meu pulso, a algema travando. Ele puxando meu braço para trás, prendendo-o. Depois o outro braço. Instintivamente tento puxar as mãos, mas estão bem presas à cabeceira da cama. Descendo as unhas por meu corpo, parando para beliscar meus mamilos, Ele segura firmemente meu pé direito, puxa-o para o lado e o amarra com algo que parece uma tira elástica. Puxando-o até a beira do colchão, Ele amarra a tira ao pé da cama, e vai até o outro lado para fazer o mesmo. Peço-lhe: Não, por favor! ... Ele nunca me imobilizou assim. Geralmente usava as algemas, mas deixava minhas pernas soltas. Agora elas estão abertas, esticadas, e as tiras apertando meus tornozelos cada vez que tento me soltar. Durante alguns minutos; longos minutos; Ele se mantém longe de mim. Está do outro lado do quarto, e deve estar me observando. Não sei como agir, se Ele espera que eu fale alguma coisa, ou que tente escapar. Em meio aos barulhos do quarto ouço um sussurro, e tenho a impressão de que há mais alguém com Ele. Sinto-me completamente indefesa ali, atada, as algemas trancadas. Tento fechar as pernas, mas não consigo uni-las, por mais que force.
O cheiro do uísque sobe às minhas narinas, e ouço o barulhinho do gelo sendo rodado dentro do copo. Ele está sentado na cama, a meu lado. O tapa estala forte em meu rosto, ardendo... Ele leva a garrafa de uísque a meus lábios, e vai virando, deixando o líquido entornar, devagar. Eu engulo uma, duas, três vezes, quente, ardendo em minha garganta, amolecendo meu corpo. Quase engasgando, viro o rosto, e espero a punição por isso. Mas Ele não me bate. Em vez disso, sinto em meu tornozelo o toque arrepiante da pedra de gelo. E Ele a escorrega pela parte interna de minha perna, subindo, chegando à coxa, à virilha. Reteso os membros, tentando dobrar as pernas, me proteger de alguma forma. Mas é impossível. Ele para por um instante, e sobe direto para meu umbigo, contornando-o, deixando o gelo derreter em minha barriga. Sinto os pingos de água escorrendo pela minha cintura. Gelado. E então o calor me faz gritar, os pingos de cera quente caindo em minha barriga e logo endurecendo em minha pele. Ele deixa cair mais alguns pingos em minhas coxas, enquanto pousa a garrafa entre as minhas pernas, junto a meu sexo. Sinto-o pulsando, molhado, tocando o vidro frio da garrafa. E Ele volta a encostar o gelo em meu corpo, subindo, passando-o em meus mamilos, fazendo-os endurecer ainda mais. Sua boca logo substitui o gelo, Sua língua quente passeando por meus seios, lambendo-os, chupando. Ele morde de leve meu mamilo, fazendo o medo voltar. Mas agora é um medo diferente, pois que o desejo já dominou por completo o meu corpo. Sem fôlego, sentindo uma onda de calor subindo pelas minhas costas, o sangue pulsando, uma vertigem assustadora, eu respiro pela boca, gemendo, querendo pedir que Ele... Mas não devo mais falar. Ele coloca um dedo em minha boca, e eu o lambo, e beijo Sua mão. E agora não é mais o dedo, e sim Seu pau que roça meu rosto. De repente me volta a sensação de que há outro homem no quarto, além Dele, e me esquivo, pedindo que Ele fale comigo. Ele não fala, ordena, e força em minha boca aquele pau quente, grande. Puxando meus cabelos, Ele controla o movimento, empurrando até que eu quase não consiga respirar. Tento afastá-lo, mas isso só faz apertar ainda mais as algemas em meus pulsos. E então Ele para e se coloca entre minhas pernas, abrindo-as ao máximo, me expondo por completo. Pega um travesseiro alto, põe sob mim e se deita, esfregando o pau em meu grelo. Fica ali, se mexendo, forçando a entrada, Suas mãos apertando minha cintura. Mas não me penetra. Sinto meu mel escorrendo, e meu sexo pulsa, ansiando pelo Meu Dono. E sem aviso Ele enfia, de um vez, com força, me fazendo gritar. Continua em movimentos firmes, parecendo querer me engolir, me aniquilar. Ainda insatisfeito com a forma como me possui, Ele enfia um dedo em meu rabo, mexendo-o no mesmo ritmo em que me penetra, me deixando alucinada. É nesse momento que sinto outra mão puxando meus cabelos, virando meu rosto, e outro pau sendo colocado em minha boca. Então Ele resolveu me dividir com outro homem... Eu jurei obediência, não poderia contestar. E nem quero fazê-lo. Sinto o gozo chegando. Aquele outro homem bate em meu rosto, me beija, morde meu pescoço e esfrega o pau em minha cara, para depois enfiá-lo em minha boca. E Ele ordena que eu a deixe aberta, pronta para receber o pau daquele estranho. Ordena que eu o chupe, pois esse é o Seu desejo. Eu obedeço, da melhor forma que posso. E Ele continua me comendo, cada vez mais rápido, insaciável. Quando sente que estou quase gozando, pára. Tira o pau de dentro de mim, e com ambas as mãos me abre, olhando-me e me dizendo o quanto estou molhada, me chamando de putinha e perguntando se estou gostando de chupar outro homem. Antes que eu possa responder, Ele volta a me comer, apertando minha bunda, colocando o dedo molhado com meu tesão na entrada de meu rabinho e me mandando enfiar, forçá-lo para dentro. Eu obedeço, pedindo mais, e Ele mete mais forte, e mais, e mais... não posso gemer, não posso gritar, pois aquele homem me segura pelos cabelos, fudendo minha boca, se inclinando sobre mim. Completamente fora de controle, eu gozo junto com Ele, e o outro homem logo nos acompanha, esporrando em meu rosto, em meus seios. Ele me mantém amarrada até que o homem saia. Nunca vou saber quem era. Mas assim são as regras, e não me cabe contestar.
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