Meus pensamentos vagueiam e sorrio satisfeita por ter desvendado um mistério que até pouco tempo me intrigava.
Desde que cheguei neste paraíso, onde residem apenas um casal de tios idosos, tenho encontrado diariamente rosas vermelhas, minhas preferidas, espalhadas por todo o quarto. Agradeci à tia mas ela se espantou:
- Ué, mas não são cravos e margaridas? Vai ver é um mimo do seu tio. Este, também ignorava o presente, bem como o jardineiro e a empregada.
Quem teria acesso ao meu quarto e trocaria as flores diariamente correndo o risco de ser descoberto, e porque faria isto? Fato estranho e que me deixava com a curiosidade ainda mais atiçada era de que os espinhos haviam sido cuidadosamente removidos. Quanta gentileza, não queriam que eu me ferisse! Como ninguém parecesse se importar com o assunto e o mistério se estendesse com minha permanência, resolvi investigar por conta própria. Entretanto, por mais que me esforçasse nada descobri, até porque era sempre traída pela sonolência da vida calma do campo, e passava a maior parte do tempo deitada e sonhando.
Descobri, no entanto, que por volta do meio dia , a casa ficava praticamente abandonada, pois todos iam rezar na pequena capela construída nos fundos do bosque.
Nunca fui chegada à religião, mas para agradar a meus tios sempre os acompanhava nessas ocasiões. Foi então que preparei minha armadilha. Subitamente acometida por uma falsa cólica menstrual, pedi licença e me retirei discretamente antes do ato religioso começar. Voltei correndo para o quarto, que ficava no térreo, pulei a janela e já encontrei-o arrumado e enfeitado com as flores do campo trazidas pela empregada. Escondi-me rapidamente no grande armário, que possuía frestas por onde podia acompanhar os acontecimentos. Não deu outra!
Passados alguns minutos entrou um rapaz, um meninote de seus dezesseis anos, que com a maior rapidez substituiu as flores por dúzias e dúzias de rosas vermelhas. Sem imaginar que pudesse estar sendo observado e absorto em seu trabalho, removia um a um os espinhos com as próprias mãos, se ferindo obviamente, mas não emitindo um gemido sequer. Lambia o próprio sangue com a língua, indiferente ao martírio, ajeitando as jarras no menor tempo possível e partindo da mesma forma que entrara, como eu, pela janela aberta!
- Aha, então é assim que você faz! E quem é você, meu menino, me perguntei intrigada mas ao mesmo tempo comovida por sua dedicação e sofrimento.
Voltei à capela quase no mesmo instante que ele e nossos olhares se cruzaram rapidamente. Mais tarde vi-o acompanhado do jardineiro e fiquei sabendo que era seu filho de criação. Bronco, tímido e ainda por cima feio, estava mais do que clara sua devoção por mim, que devia lhe parecer uma deusa inacessível. Resolvi, então, gratificá-lo.
No dia seguinte saí bem cedo para dar-lhe tempo suficiente para a troca das flores. Avisei a meus tios que teria que voltar à cidade por problemas de trabalho e propositadamente comentei o assunto na frente da empregada, que sabia ter um chamego pelo jardineiro e que certamente não deixaria de comentar o fato.
No campo escurece depressa e estamos por volta das dezoito horas. Mantenho a janela aberta, com as cortinas levemente levantadas. Finjo que durmo. Deixo que o négligé se abra, deixando à mostra a penugem fina e sedosa aparada para ressaltar os polpudos lábios vaginais.
O quarto está tomado pelo aroma inebriante das rosas frescas, que mantenho espalhadas pela chaise. Sinto-me tranquila e relaxada. Subitamente ouço passos furtivos do outro lado da janela e pressinto que seja ele, o meu infortunado admirador. Informado que fora da minha partida viera, certamente, me observar pela última vez. Sinto seu olhar através das cortinas e finjo um sono reparador. Aos poucos vou me mexendo devagar, deixando que a peça fina de roupa se afaste quase toda do meu corpo, permitindo que ele admire minha exuberante nudez. Ouço um suspiro sofrido mas me recuso a acordar.
Lentamente, como num sonho, estendo a mão para a rosa mais próxima e levo-a ao rosto e aos lábios como se para beijá-la. Em seguida desço-a pelo vale dos seios, paro em um dos mamilos e esfrego as pétalas de leve até que desfolhem. Mantenho-me como se tomada por sono profundo.
Colho outra rosa e faço-a escorregar docemente pelo umbigo e pela virilha até que ela se desmanche em minhas coxas úmidas, onde ficam pregadas algumas pétalas rubras. Pego outra, mais duas, e sempre de olhos fechados, com elas acaricio meu clitóris. Continuo a acariciar-me, desta vez com mais força e o meu grelinho em resposta enrijece, apruma e cora, provocando-me formigamentos mil. Tenho agora um pequeno buquê nas mãos, gemo baixinho e continuo de olhos cerrados.
Lentamente, vou introduzindo as rosas, uma a uma, na vagina já entreaberta, mantendo-as presas pelo talo que seguro firme com as mãos. Esfrego-as freneticamente. Entro e saio com meu buquê mantendo um ritmo constante naquela vagina alagada, mais vermelha do que nunca. Nesse momento não mais consigo controlar-me. Um orgasmo violento convulsiona meu corpo, fazendo brotar, junto com minha secreção perfumada, dezenas de pétalas de rosas.
Não me perguntem o que aconteceu com o menino. Empolguei-me tanto que não vi se ele fugiu, desmaiou ou se me acompanhou na masturbação! No dia seguinte, ao partir, depois de ter me despedido de todos, quando o carro já se afastava da casa, pude vê-lo ao longe, ajoelhado, como se estivesse orando, em um jardim repleto de rosas vermelhas.