Vestida de negro, um mini vestido transparente, meias e sapatos altos da mesma cor, andava sem destino pelos becos e ruelas da grande cidade adormecida. A écharpe negra que lhe envolvia o pescoço alvo ressaltava os cabelos escuros penteados para cima e presos por uma estranha jóia.
Não tinha medo, era uma ave noturna, independente e liberada, sentindo-se à vontade em ambientes sórdidos onde sua figura elegante resplandecia. Embora fosse uma dama gostava nessas ocasiões de ser tratada como uma mulher da rua, rindo alto dos gracejos pesados e das obscenidades que lhe propunham. Amava o perigo e a transgressão; não tinha amigos, ninguém lhe conhecia a família, tampouco a moradia. Conseguia driblar perfeitamente todos aqueles que tentavam segui-la desaparecendo quando menos esperavam.
Gostava do sexo impessoal, sem compromissos. Ela era a ativa. Se um macho lhe agradasse abordava-o com a maior tranquilidade, sem meias palavras, dizendo exatamente o que pretendia. Inúmeras vezes gozou em banheiros públicos, ora montada no parceiro sentado no sanitário, ora de pé, contra a porta fechada, as pessoas batendo à porta, tentando entrar e a aflição do momento só fazendo aumentar seu orgasmo.
Bela, impudica e irresponsável. Nada a prendia, vivia apenas para o mando e para o prazer. Que tinha posses era evidente, não fosse por suas roupas e jóias, pelo dinheiro facilmente esbanjado, seus gestos finos traiam a boa educação, mostravam que tinha berço. Por que o interesse pela baixaria, pela sarjeta?
Um vulto numa ruela chamou-lhe atenção. Sem medo aproximou-se. Era um rapaz moreno, alto, de uns 25 anos, cabelos negros cobrindo o pescoço e as orelhas, olhos escuros. Usava jeans desbotados e casaco de couro negro, de boa qualidade, sobre camiseta branca. Botas negras, mal cuidadas. Apesar da aparência de desleixo era extremamente bonito, másculo, lembrava um felino.
- Você fuma?
Uma gargalhada fe-la jogar a cabeça para trás e seus cabelos quase se soltaram. Tirou o lenço do pescoço alvo e perfumado e sedutoramente balançou-o no rosto do rapaz.
- Taí, gostei de você! E quanto pretende cobrar de uma mulher assim como eu? O mesmo que você cobra dos viados?
- Acontece, garoto, que eu sou diferente. Não sou uma mulher carente que está transando escondido do marido. Quero trepar aqui na rua mesmo e o preço vai depender da sua performance.
Ele ficou lívido, não estava acostumado a ser tratado desta forma. Procurava ser o mais impessoal possível com os clientes pois sabia que isso lhe dava ainda mais charme. E afinal de contas se garantia... Além de bonito tinha um pau grande e grosso, indispensável nesse métier. Raramente atendia mulheres, o mercado era dominado pelos homens e já tinha se acostumado com isso. Mulher era uma raridade nesse negócio e havia sempre o risco delas se apaixonarem. Mas essa era especial, dava pra ver.
Sem saber porquê Lucas pressentiu que aquela criatura significava perigo e dos grandes! Pensou em se esquivar, ou simplesmente cair fora. Mas ela lhe atraía, era diferente... Quantos anos teria? Aparentava no máximo trinta e cinco, mas uma amiga tinha lhe ensinado que acrescentasse sempre dez anos à idade presumida de uma mulher.
Não lhe pareceu drogada, tampouco alcoolizada, talvez meio louca, sei lá, vai ver uma fera ferida.
- E então, vai topar? Sua voz era grave e sensual. Te quero, tô com tesão! Cem reais só pra começar....se eu gostar pago mais. Só tem uma coisa, eu dito as normas, tá?
O rapaz afastou o cabelo escuro da testa, a noite estava úmida, daqui a pouco começaria a garoar. Tivera um dia infernal, mecânico eventual descobrira como aumentar o orçamento fazendo michê. No fundo detestava aquela vida, tinha nojo dos clientes, a maioria homens mais velhos que lhe pagavam pra lhes comer a bunda gorda e peluda. Muitos gostavam de chupá-lo e ele logo avisava:
- Cara, demoro muito a gozar.
E não é que eles bebiam tudinho? Tinha nojo deles, desprezava-os. Negava-se a pagar na mesma moeda, não era “liberal” e fazia questão de colocar nos anúncios ATIVO. Não se considerava homossexual!
- Você não prefere ir a um motel? perguntou em tom conciliador, quase gentil. Tem um aqui pertinho....meio barra pesada, mas creio que vai te agradar.
- Não, ela foi taxativa. Quero foder no meio da rua com um garanhão que nem você.
Ele olhou-a com curiosidade, a raiva já havia passado, e aquela criatura imponente que parecia ter saído das páginas de uma revista estrangeira de modas, de gestos finos e fala desbocada estava deixando-o mais interessado que nunca. Meio mandona, bonita, rica com certeza, devia ser daqueles tipos excêntricos que topavam tudo para se destruir. Um sino, uma espécie de intuição voltou a alertá-lo que devia cair fora, mas o macho que existia dentro dele não conseguia recusar carne de tão boa qualidade. E ainda por cima ela ia pagar bem!!!
- Como você quer fazer? perguntou profissionalmente, procurando com os olhos uma escadaria, ou um ressalto sombrio no meio fio.
- Por que não vamos lá dentro do beco?
Ela respondeu com outra gargalhada, misto de excitação e deboche e com suas próprias mãos puxou-lhe o zíper da braguilha enquanto sua boca procurava a dele. Beijaram-se, praticamente engalfinharam-se, cada um querendo abrir a roupa do outro. Quase inconscientemente foram se encaminhando para a parte mais escura, ele com a jaqueta e a camisa abertas, o pênis exposto, ereto. Ela com o vestido suspenso, não usava calcinha, a pele alva resplandecendo contra as meias negras. Excitado, Lucas baixou-lhe o decote com violência rasgando a fazenda fina.
- Desculpa, não fiz por mal!
Suas mãos em cruz tocavam em seus órgãos genitais, estavam de frente um para o outro, ela masturbando-lhe o pênis com perícia, não querendo que gozasse, só brincando. Lucas dedilhava-lhe o clitóris durinho, e com dois outros dedos penetrava-lhe a vagina molhada e quente.
Largaram-se por um momento. Ela deu-lhe as costas e o rapaz começou a morder de leve sua nuca descoberta e perfumada. Com a mão direita acariciou-lhe a bunda e o cuzinho, enquanto com a esquerda lhe espremia os seios.
Ela entendeu; provavelmente ele associava o coito anal aos homossexuais e embora esse tipo de foda não lhe fosse indiferente acedeu ao pedido.
Lucas suspendeu-a de encontro à parede suja do beco, enquanto ela se agarrava ao seu pescoço e treparam ali mesmo, como dois animais, desconfortavelmente, loucos de tesão! O vestido desfiara quase que todo atrás e ela parecia não se importar com isso e nem com a dor nas costas. Gozaram aos gritos, e com as pernas bambas deixaram-se cair nos degraus úmidos de uma escada recém descoberta que levava à outra rua. Ele acendeu um cigarro e ofereceu à ela. Ficaram os dois ali por um tempo incalculável, apenas fumando e conversando.
- Por que você insiste em negar sua homossexualidade?
Ela tirou da bolsa cinco notas de cem reais e deu pra ele.
- Tudo isso? Sua fisionomia se amainou, agradecido.
O pau ficou duro imediatamente:
- Eta! Profissional bom, gargalhou a mulher, imediatamente cavalgando-o. Frente a frente se beijaram, desta vez mais calmamente, saboreando um o gosto do outro.
Ela pousou-lhe o dedo nos lábios. Beijou-o delicadamente nos olhos, no queixo, na boca.
Ficaram por um tempo enorme se fodendo com as línguas enquanto ela o cavalgava, à princípio lentamente, depois acelerando o ritmo, cada vez mais e mais. O rapaz tentou soltar-lhe os cabelos, mas ela adiantou-se retirando a jóia e permitindo que cascatas negras cobrissem-lhes os ombros como um manto.
- Vamos gozar juntos, ordenou!
Segurou-lhe a mão e encaminhou o dedo mais grosso de Lucas para aquele buraquinho abandonado. Possuída por uma volúpia incontrolável, tomou-lhe os dedos da outra mão e começou a lamber e chupá-los.
- Agora sim, todos meus buracos estão preenchidos! Agora posso me entregar!
Maravilhado, Lucas deixava-se foder por aquela mulher linda que lhe mamava os dedos como se pênis fossem e, em contrapartida, introduzia com força o dedo naquele cuzinho quente e macio que parecia querer sugá-lo.
E ele gozou, inundou-a mais uma vez com seu esperma tão difícil de ser expelido, e paralelamente sentiu que o ânus dela como se lhe decepasse o dedo, tão forte a contração esfincteriana. Continuou gozando, gozando, sentindo um prazer imenso, mesmo quando viu aqueles olhos negros brilharem de forma sombria e depois se estreitarem como fendas.
Viu-lhe ainda o braço alvo, enlaçar-lhe o pescoço numa carícia final. Só não viu o estilete disfarçado de jóia que lhe penetrou na base do crânio, matando-o instantaneamente e proporcionando à fêmea o prolongamento do orgasmo triunfal.
Retirou o estilete, que enxugou na écharpe negra transparente, e acariciou-lhe de leve o rosto. Os olhos de Lucas estavam abertos e ela não os fechou. Olhou-o mais uma vez e disse carinhosamente:
- Meu nome é Lilith.
Nas sombras da noite, do outro lado da rua, surgiu uma limusine negra que parou a seu lado.
- Tudo bem, madame?
- Só quando quero, respondeu-lhe insolente.
Ela o avaliou como a um animal e devolveu:
- Você cheira a homem, gosto disso.
- Que é que você quer? Se tá a fim de programa vai ter que pagar!
- Mais caro, as mulheres levam mais tempo pra gozar. Ele sorriu só com a boca, os olhos continuavam sérios, quase ameaçadores. O perigo atiçou-a, ali estava um adversário à sua altura. Provocou-o, acometida por uma vontade repentina de submete-lo:
- Cem reais.
- Muito barato, não deve ser grande coisa....
- Não faz mal, não tem importância.
- Você é quem sabe, mas tá muito escuro, não tem medo de ser assaltada?
- Não tem importância, ela sorriu, montando-lhe nas coxas, seminua, e exibindo os seios fartos de mamilos curiosamente escuros.
- Teu nome, como te chamas? Meu nome é Lucas!
- Deixa isso de nome pra lá. É o que de menos interessa no momento, não é mesmo, sussurrou-lhe no ouvido.
- Porque não sou viado, respondeu-lhe puto da vida. EU SOU ATIVO.
- Sei, sei, e não chupa pau, riu. Ela estava caçoando e Lucas teve vontade de esbofeteá-la.
- Nem tente, ronronou, como que adivinhando, nem tente...
- Ainda não acabou, meu amor. Quero mais!
- Por que você faz isso? Uma mulher como você! Eu é que devia pagar!
- Tudo ótimo, vamos para casa.