Eu pensava mil coisas enquanto elaborava e digitava aquela imensidão de contratos sobre a minha mesa, não agüentava mais criar tantas cláusulas em conformidade ao que me fora pedido por um cliente naquele dia, eram oito contratos ao todo, todos para situações complexas e distintas, precisava terminá-los... que saco!
Reclamei baixinho... Sabia que permaneceria no escritório até de madrugada... hum... vou sentir fome, melhor pedir um lanche para mais tarde... estava decidida a ficar por lá até as altas horas da noite....
O Meu Mestre tinha viajado, o tempo corria a meu favor... precisava apenas de dois dias para poder entregar aquela papelada, optei por dispensar a secretária mais cedo, queria ficar sozinha, barulhos me incomodavam...
Mais uma vez, penso “Nele” com carinho... em nosso último contato, tinha me deixado avisada de sua volta marcada para o dia seguinte... De repente o celular toca... não observo o identificador de chamadas.... primeiro erro...
- Alo, deseja falar com quem?
- Como sempre distraída... isto é maneira de falar com o seu Amo? Não percebeu que era o meu número aparecendo em seu telefone? O que está acontecendo com você? Saio por dois ou três dias e quando retorno, ligo para a minha escrava, esperando no mínimo, que ela demonstre sinal de Respeito e Gratidão por ouvir a minha voz e tenho o dissabor de ouvir: “Alo... quem fala...”???
Ao mesmo tempo em fiquei gelada por escutar aquela voz, meu coração parecia explodir ao saber que “Ele”
havia retornado mais cedo de sua viagem de negócios...nunca me ligava... só em duas situações:
Quando pretendia me usar como seu “bichinho de estimação” ou quando precisava me dizer algo realmente
importante...
Eu era a única que podia ser cobrada... “Ele” exigia de mim o que quisesse... mas o inverso nunca...
Enquanto eu fosse sua, por livre e espontânea vontade, não teria direito a liberdade... várias coisas passavam ao mesmo tempo pela minha cabeça...
Como sentia saudades das suas marcas deixadas em meu corpo... três longos dias sem sentir o prazer do “peso” de suas mãos sobre mim... sem as suas ordens... sem as suas recompensas por ter me comportado como deveria.... sabia que tinha errado... aquela, não era a maneira correta de se reportar a um Mestre... fui displicente... tentei argumentar... implorei, mesmo pelo telefone, que me perdoasse... Ele sabia que quando eu “implorava pelo seu perdão” era por que possuía um motivo forte...
Desde o início da nossa relação, deu uma ênfase especial, ao me explicar, que todas as palavras ditas por uma sub deviam ser utilizadas com responsabilidades... portanto, as minhas respostas deveriam ser muito bem pensadas antes de serem reveladas... e eu, sempre tomava um certo cuidado, quando tentava expor alguma coisa...
Era este um dos nossos códigos, por isso, não poderia utilizá-lo em vão... perderia o seu sentido...
Então, quando utilizada a expressão “imploro pelo seu perdão”, sinônimo de que algo importante estava acontecendo, era a maneira certa encontrada para pedir permissão e poder obter a necessária licença de explicar o motivo do meu erro....
Um ato simples para avaliar a minha atitude e, dependendo da sua análise e decisão, seria concedido ou não, o seu significativo perdão...
Assim rapidamente, após obter o seu consentimento, expliquei tudo com detalhes... havia um motivo plausível para o meu distraído erro... Mesmo completamente submissa aos seus desejos, tendo a minha vida regida e controlada por Ele, possuía responsabilidades e, embora fosse propriedade de quem era, merecia a sua proteção... Por isso, com relação ao meio profissional eu sempre seria preservada mas, em recintos privados ou até discretamente em público, quando julgado necessário pelo meu Dono e Senhor, era usada e abusada como melhor lhe conviesse, o que me proporcionava um imenso prazer, por satisfazer todas as suas ordens e vontades...
Afinal, meu único direito, era o de poder “aparentar” uma mulher puritana para aqueles a quem não interessava o nosso estilo de vida... situação oposta à minha realidade... uma serva sexual, transformada numa cadelinha vadia, sempre pronta a atende-lo no momento em que fosse chamada...
Como “Ele” era e é, um homem muito sábio e complacente ao tomar as suas decisões, foi com alívio que, por trás do fone, percebi um sorriso vindo acompanhado do meu carinhoso apelido...
- Está bem minha “putinha linda”... aproveite, hoje estou contente, fiz uma excelente viagem e, como me
disse que tem um prazo de dois dias para entregar o que está fazendo, adiante o máximo possível... lhe
permito trabalhar somente por mais duas horas.
Portanto, não esqueça, saia as 20:00 horas em ponto. Vou precisar passar na empresa para resolver alguns
detalhes, encontrarei você mais tarde... Outra coisa, como me sinto um pouco cansado, não decidi se vou
querer usá-la esta noite, então, tome um banho, coma alguma coisa e vá para cama, não se preocupe se pegar
no sono.... obteve o meu perdão... mas, quero uma coisa... antes de se deitar, abra a segunda gaveta do
criado mudo, encontrará um presente... sabe muito bem o que desejo que faça com ele...
Sem dizer adeus, desligou o telefone...
Colocando o fone no gancho, abri um largo sorriso... estava feliz... talvez, se dependesse de mim, teria ido embora naquele exato momento... sentia saudades... mas a atitude seria inútil, não adiantaria nada, só aumentaria mais o tempo da espera... Além disso, havia uma ordem para ser cumprida com os mínimos detalhes...
Resolvido... fecharia o escritório quando faltassem cinco minutos para a hora marcada... o tempo necessário para chamar o elevador, descer e atravessar a porta de saída do prédio... e, oportunamente, despertando dos meus pensamentos, retornei para montoeira de papéis espalhados sobre a mesa...
Exatamente como planejado, segui, fielmente, cada detalhe... depois de jantar o lanche que havia trazido para comer em casa, tomei um banho morno, demorado... me preparei como fazia todas as noites...
Enquanto passava o hidratante que deixava um suave e adocicado cheiro de amêndoas em meu corpo, lembrei do seu toque sobre a minha pele... mesmo quando era punida gostava de sentir as mãos dele sobre mim... independente do que decidia fazer acabaria me tocando, fosse por um carinho, um tapa na cara ou simplesmente me amarrando....
Abri a gaveta... encontrei uma caixa embrulhada num delicado papel de presente... dentro dela, uma coleira nova com a inicial de meu Amo... diferente da outra que estava tão acostumada a usar na sua presença.... “nua e de coleira”...
Com um gesto de carinho, abri um delicado sorriso... adorei o presente... sentia orgulho por poder usar a sua principal marca em meu pescoço...
Passando por algum tempo levemente os meus dedos sobre o couro, agora, na cor marrom, peguei no sono como Ele mesmo havia previsto...
Não era muito tarde quando meu Dom chegou, não passava da meia noite... sem fazer qualquer barulho ligou a luz do abajur que ficava em cima da mesinha de canto da sala de estar, guardou sua pasta na estante e acendendo um cigarro sentou-se no sofá....
Não parava de pensar no que faria comigo... já tinha me perdoado uma vez durante a tarde... mas eu insistia em cometer os erros mais banais e impensados... sentiu-se cansado... não ia deixar passar em brancas nuvens... estava furioso...
“Quando será que ela vai aprender a dar atenção as minhas ordens? Pede o tempo todo para ser castigada... Porque não lembrou de acertar o seu relógio com o meu? Além de vadia... burra! Sequer percebeu que, na hora marcada, eu estava do outro lado da rua à espreita, esperando pela sua saída... errou mais uma vez...dois minutos de atraso...não consigo compreender como pode ser tão desatenta... Chega! Não darei nem mais uma chance...”
Abrindo a porta do quarto caminhou até a cama... permaneceu parado por alguns minutos,olhando e admirando a coleira no meu pescoço... gostou da cena que viu... Naquele instante,quase se permitiu vencer pela exaustão de um dia repleto de compromissos... pensou em desistir...
Não mesmo! Falou baixinho...
- Thais acorde!
Em sono profundo, parecendo ouvir a sua voz me chamando, me virei para o outro lado da cama... Ele, agora em tom firme, renova o chamado... não me mexo nem acordo...
A situação o deixa mais irritado e acaba perdendo o controle...
Totalmente cego pela fúria, aos berros para que eu levante, me arrancando da cama pelos cabelos, me conduz arrastada, sonolenta e assustada até a sala...
No corredor, com dificuldade consigo levantar... para não sentir a dor, seguro as suas mãos... a situação piora... minha tentativa de impedir a dor, apenas demonstra que novamente não penso e erro....
Talvez fosse essa a reação normal de uma pessoa, se considerado o susto de ter sido acordada abruptamente... Mas, não era este o pensamento do meu Mestre...
O meu coração aperta e acelera, meus olhos anunciam que vou começar a chorar... não entendia o motivo de tanta raiva... cometo mais um erro...
- O que eu fiz Senhor?
Sua raiva aumenta, não me era permitido questionar suas atitudes... Segurando-me com mais força pelos cabelos, me traz bem próximo ao seu peito... com um grito manda eu calar a boca... obedeço...
Ele abaixa o tom da voz... dá início a sua tortura... sabe que me humilha profundamente quando usa palavras vulgares e propositadamente duvida da minha inteligência... me subestima quando diz que animais com simples instintos, sem capacidade para raciocinar, se saem melhor que eu....
De novo ameaço chorar...
- Thais engole esse choro, não quero ouvir nem mais um pio! Coloque-se de joelhos em frente a escada. Será que já não me irritou o suficiente por hoje? Quantas vezes preciso repetir que não tem o direito de questionar meus motivos... não preciso que eles existam, basta a minha vontade... Será que nunca vai aprender?
Sendo chamada a atenção inúmeras vezes pelo mesmo motivo... envergonhada, arrasada e arrependida por ter contrariado alguém que teria de mim tudo o que desejasse ou sonhasse.... tentei, sem sucesso, amenizar a sua ira....
Lançando-me aos seus pés, começo a beijá-los enquanto, acariciando suas pernas, com uma das mãos alcanço o seu membro... logo de primeira, consigo abrir suas calças, faço menção de chupá-lo...
Violentamente, recebo um empurrão em troca....
- você é uma puta mesmo! Sua vadia sem vergonha... nem tente... não será agraciada com o prêmio que tanto deseja....
Naquele momento sabia o que deveria ser feito... pedir para ser castigada... Ele adorava me ver implorar pelos seus castigos e sem esperar pela sua ordem, pedi para ser punida...
Simplesmente, de joelhos, com a cabeça baixa, olhando para os seus sapatos, supliquei, humildemente, para ser castigada...
- Faça o que quiser comigo meu Amo... me perdoe... não pretendia desapontá-lo... pode me corrigir se quiser...
Soltou uma gargalhada que me fez arrepiar até a alma....
- Fico impressionado vendo o quanto você é abusada... “se quiser eu posso?”.. Não se iluda por tão pouco minha querida, até porque quando quero, faço! Se posso ou não? Garanto que a sua opinião não me interessa....
Irritado... abrindo uma das portas da estante de mogno, tira de dentro uma grossa corrente... sobe a escada em caracol no meio da sala.... pelos espaços existentes entre um degrau e outro, constata que permaneço de joelhos... calcula rapidamente a altura necessária e passa a corrente por um deles... deixa ela lá pendurada... pensa em me deixar ali suspensa, nas pontas dos pés.... com dificuldade meus dedinhos alcançariam o chão...
Desce.... Pega uma pequena bolinha de borracha e um pano de seda preto... me olha... pareço uma estátua, totalmente imóvel a espera do castigo... sua raiva não se desfaz... sei o que está prestes a me acontecer...
Manda eu abrir a boca... obedeço....
Apavorada e com medo, não consigo mais segurar as lágrimas e elas começam a descer... levo um tapa por causa da desobediência... sinto a marca de sua mão formigar em minha face e quando dou por mim, já estou amordaçada....
- Nem um pio! Não quero ouvir gemidos por enquanto....
Me calo totalmente...
Sem esperar mais, prende meus pulsos as algemas... levantando meus braços, os encaixa na corrente e,
exatamente como havia imaginado, me deixa suspensa... nas pontas dos pés....
Meu Dom se coloca estático a minha frente e pelo seu semblante, pressinto um excesso na sua punição... alguns limites seriam rompidos... começo desesperadamente a balançar a cabeça em sentido negativo..
Ele ri do meu desespero...
Vem o primeiro açoite bem no meio das minhas pernas... no segundo, mesmo comigo aos prantos, emitindo somente gemidos além de poder me contorcer... vejo que é pior... meus pulsos estavam ficando marcados e machucados com o balanço provocado pelo peso do meu corpo a cada chicotada...
Finalmente a décima... Ele acha que é o bastante...
Guarda o chicote de tiras grossas com nós nas pontas... acaricia as marcas avermelhadas deixadas na minha pele branca... sabe que vou me lembrar ao olhar para elas no dia seguinte...
Antigamente se preocupava em não usar muito a força...deixava somente marcas discretas nas minhas nádegas e costas...
Mas hoje não... dez chicotadas haviam sido impiedosamente bem dadas, uma a uma, em cada lugar diferente do meu corpo...
- Esta noite não farei mais nada com você Thais.. mas não pense que serei bonzinho e vou tirá-la daí... seu
castigo não está finalizado, tenho uma surpresa reservada... precisa aprender a suportar a dor para
que não cometa impunemente os mesmos erros... também não serei tolo em permitir que o cansaço ocasionado
pelo peso do seu corpo a deixe adormecer... sua dor será aumentada e permanecerá por horas...
Resolvendo colocar dois prendedores de garras finas nos bicos dos meus seios, exatamente aqueles que deixava-os roxos e doloridos por alguns dias... os que eu mais temia quando Ele decidia usá-los, afastou-se um pouco de mim...
Puxa a poltrona do canto da sala e se senta bem na minha frente, percebo que está mais calmo... acende um cigarro... adorava me ver chorando, implorando com aquele olhar, para que me soltasse e tirasse dali.... era como uma maravilhosa música clássica para os seus ouvidos...
Depois de alguns minutos, terminando de fumar, apaga a sobra do seu cigarro no cinzeiro grande de cristal.... não fala nada.... desliga a luz do abajur e sai...
Deitado em nossa cama, ouvindo o gemido baixinho do meu choro vindo da sala, lamenta por eu não estar ao
seu lado... abraça o meu travesseiro.... percebe o delicado cheiro do hidratante de amêndoas impregnado
no lençol... sente falta do meu corpo... mas não admitiria mais que erros primários fossem cometidos.... eu precisava ser punida...
Também, não esqueceu de ajeitar o despertador para acordá-lo as seis da manhã, exatamente a hora prevista para me tirar de lá...
Havia pensado em tudo... não me permitiria trabalhar no dia seguinte... também tiraria folga para passar o dia inteiro me mimando... me ajudaria com os benditos contratos...
Sorriu ao lembrar que eu não esquecera de colocar a coleira com a sua Inicial... tinha certeza que eu me orgulhava de tê-lo como Meu Dono e Senhor e finalmente, vencido pelo cansaço, adormeceu...
Luna (12/02/00)