RACK: Risk Aware Consensual Kink
SSC: Sane, Safe, Consensual

Seção Artigos
210:   RACK: O que é isso, afinal ?

Outubro de 2009

Tem havido controvérsia sobre o tema RACK x SSC.
Numa tentativa de esclarecer o tema, fiz uma pequena
coleção de exposições de pessoas da área que,
se lidas de forma isenta, podem melhorar a
compreensão global do tema.

Há um texto, que deu origem ao tema e cunhou a sigla RACK,
de autoria de Gary SW, publicado inicialmente aqui.
Abaixo você poderá uma tradução feita por
rianah ldl (rianah.ldl@hotmail.com),
seguida de comentários apoiando e contestando
a proposta do Gary.

Não é objetivo meu, Carcereiro, apoiar ou contestar,
mas trazer o assunto à luz, para que cada um,
lendo as diversas opiniões, possa formar seus
próprios conceitos sobre o tema.

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Rack x SSC - Uma nova leitura
Por: rianah ldl

Levando-se em conta que existe uma evolução, que buscamos por ela, não seria, então, a hora de revermos nossos conceitos, perguntarmos quais das técnicas BDSM são, mesmo, 100% seguras e livres de risco, e o quanto há de consensualidade e sanidade em nossas práticas? E quanto à co-responsabilidade do bottom?

O texto a seguir, originalmente em inglês que segue logo abaixo, para efeito comparativo se achar necessário, é de Gary Switch, que propõe o conceito RACK ao invés do SSC, tão colocado por nós até agora como lema e bandeira do BDSM. Eu proporia o RACK como uma releitura do termo SSC, assim, creio que como o autor do projeto.

Tradução do texto do Gary Switch

“Nada é perfeitamente seguro. Atravessar uma rua não é perfeitamente seguro. Lembrem-se que tecnicamente falamos de “sexo mais seguro” e não “sexo seguro”. Se quisermos limitar o BDSM ao que é seguro, não faremos nada mais radical do que chicotearmos alguém com um espaguete cozido. Escaladores de montanhas não chamam seu esporte de “seguro”, pela simples razão de não o ser; o risco é parte essencial da emoção. Eles administram isso identificando e minimizando o risco através do estudo, treino, técnica e prática. Acredito que este método funcionará melhor para nós, BDSMistas, do que afirmar que o que fazemos é seguro. Queremos fomentar a noção que desenvolvemos especialização, que para fazer o que fazemos do modo correto preciamos de habilidades desenvolvidas através de um processo similar de educação, treinamento e prática.

A negociação não pode ser válida sem o prévio conhecimento de possíveis riscos envolvidos na atividade que está sendo negociada. “Risk-aware” (consciente do risco) significa que ambos os lados da negociação estudaram as atividades propostas, estão informados sobre os riscos envolvidos e concordam no modo de como administrá-los. Daí “risk-aware” ao invés de “seguro”.

A parte “Sã” do SSC é muito subjetiva. Quem dá as cartas? A pessoa A pode pensar que fisting não é são; as pessoas B e C podem gostar muito disto. “São” sempre me lembra o slogan da campanha do velho show Smothers Brothers, a favor de Pat Paulsen: “Vote em Paulsen; ele não é insano!” Se ficarmos constantemente reafirmando a todos que você não é louco, vão começar a desconfiar.

Já ouvi “São” ser interpretado como “capaz de distinguir fantasia da realidade” e “não intoxicado”, ambos válidos, apesar desta última definição ser similar à citada acima – não ficamos reafirmando constantemente que não estamos bêbados, tão pouco.

“Consensual” é a essência, implica negociação, a qual implica ter a capacidade de distinguir fantasia da realidade, como também lidar responsavelmente com fatores de risco. Se você desconhece os fatores de risco, ou não sabe o que vai acontecer na realidade, então não sabe discernir no quê está consentindo. Uma negociação significativa tem sempre que acontecer no senso comum da realidade consensual.

A parte “kink” (perversão, tara) entrou para que ficasse um acrônimo interessante e porque SSC não nos diz sobre o quê você deveria ser SSC. Seria a Pesca de Truta Segura, Sã e Consensual? Fazer alusão ao rack, um instrumento de tortura, foi criticado, mas para mim isto significa nossa transformação de atrocidade em êxtase, e é admitir que apesar de gostarmos de algumas fantasias obscuras, nós as realizamos sem causar danos e consensualmente.”

Texto original em inglês: SM ORIGIN of RACK: RACK vs. SSC by Gary Switch

During a discussion of SSC (Safe, Sane, and Consensual) on the TES-Friends list, I proposed RACK (Risk-Aware, Consensual Kink) as an alternative. Here's my motivation: Nothing's perfectly safe. Crossing the street isn't perfectly safe. Remember that it's technically called "safer sex," not "safe sex."

If we want to limit BDSM to what's safe, we can't do anything more extreme than flogging somebody with a wet noodle. Mountain climbers don't call their sport safe, for the simple reason that it isn't; risk is an essential part of the thrill. They handle it by identifying and minimizing the risk through study, training, technique, and practice.

I believe that this approach will work better for us leatherfolk than claiming that what we do is safe. We want to foster the notion that we develop expertise, that to do what we do properly takes skill developed through a similar process of education, training, and practice.

Negotiation cannot be valid without foreknowledge of the possible risks involved in the activity being negotiated. "Risk-aware" means that both parties to a negotiation have studied the proposed activities, are informed about the risks involved, and agree how they intend to handle them. Hence "risk-aware" instead of "safe."

The "sane" part of SSC is very subjective. Who's making the call? Person A might think fisting is insane; persons B and C might enjoy it very much. "Sane" always reminds me of Pat Paulsen's campaign slogan from the old Smothers Brothers show: "Vote for Paulsen; he's not insane!" If you go around constantly reassuring folks that you're not crazy, they'll start to wonder. I've heard "sane" interpreted as: "able to distinguish fantasy from reality" and "not intoxicated," which are both perfectly valid, though the latter is similar to the above -- you don't go around constantly reassuring folks that you're not drunk, either.

"Consensual" is the crux, implying negotiation which implies being able to distinguish fantasy from reality, as well as dealing responsibly with risk factors. If you don't know the risk factors, if you don't know what will happen in reality, then you don't know what you're consenting to. Meaningful negotiation must always take place on the common ground of consensus reality.

The "kink" part went in to make a snappy acronym and because SSC doesn't tell you what you should be SSC about. Safe, Sane, and Consensual trout fishing?

Alluding to the rack, an archetypal torture instrument, has been criticized, but to me it signifies our transformation of atrocity into ecstasy, and admits that though we may enjoy some dark fantasies, we realize them harmlessly.

RACK is admittedly more confrontational than SSC. It's defiant, the same way the GLBT community uses "queer." RACK allows us the freedom to have non-PC fantasies. Don't a lot of us enjoy non-consensual fantasies, either from the top side or the bottom side? We enjoy them in our literature; we may very well enjoy them while we play.

But we act them out responsibly and consensually.

****** Permission is granted to reproduce and distribute this essay, as long as it's reproduced in its entirety and is attributed to: Gary Switch, Contributing Editor, Prometheus magazine, GarySwitch@aol.com Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots.


Discussões sobre o tema cima

Morrigan Oconnor :: morrigan.oconnor@gmail.com

Antes, afirmei porque não me oponho ao Rack como descreveu o texto traduzido de Gary Switch, mas dele discordo,venho então dizer porque e como.

A valência do Rack e do SSC

O Rack , assim como mostra o texto de Gary Switch é uma tentativa cheia de boas intenções de somar com o Bdsm.Mas ess esforço mais atrapalhou do que surtiu beneficios.

Explico: Ele tentou ajudar a até mesmo com esse conceito , elucidar os “xiitas do Bdsm”.Quem são esses?Os exagerados, para quem se disser:

"Estou morrendo de fome! Eu comeria um boi!" em suas mentes, significa literalmente estar a beira da extrema unção e com a firme intenção de ingerir toda massa física existente na carcaça de um bovino.

Óbvio, claro e evidente que nada na vida é 100% seguro e todos nós sabemos disso.A compreensão de que nada é seguro é intrínseco a vivência de um adulto e bdsm não épara crianças.Porém porsabermos disso,devemos torna-la o mais segura que pudermos.

São, Seguro e Consensual é uma meta, não uma verdade absoluta.

Tudo na vida envolve percentuais de risco e um dos maiores índices de acidentes, são os domésticos, justamente porque na confiança de sabermos muito bem executar uma ação, relaxamos nos cuidados preventivos nos fiando na competência da habilidade....e qualquer semelhança com o modo de administrar uma cena sem estar atento a SSC por experientes bdsmistas não é mera coincidência.Só morre afogado quem sabe nadar.

Dizer que a melhor forma de administrar o bdsm é “ identificando e minimizando o risco através de estudo, treino e prática" é filosofia basedo SSC.

Em momento algum o são, seguro e consensual prega que o risco inexiste , que não se façam práticas hard e que mesmo com a prevenção para minimizar riscos a possibilidade de lesão, dano e trauma torna-se zero. O SSC apenas reza pelo uso destes tópicos inclusos na sigla, pois sem essa precaução, a margem de risco se tornaria tão larga e perigosa que entre o ato prazeroso sem a preservação da vida dos envolvidos e não fazê-lo, na equação custo-benefício, bdsm não valeria a pena. Nenhuma hora de gozo vale toda uma vida.Vide quem transou sem camisinha e contraiu Aids.

“Risk-aware” (consciente do risco) significa que ambos os lados da negociação estudaram as atividades propostas, estão informados sobre os riscos envolvidos e concordam no modo de como administrá-los. Daí “risk-aware” ao invés de “seguro”.Esse é a retórica de Garry,mais uma vez, é redundante.Para quem lê SSC corretamente (sem interpretar “pé de mesa” como base de sustentação de mobiliário cuja a extremidade constitui-se de peito, sola,calcanhar e dedos humanos) a palavra “risk-aware” é , oa meumver desnecessária, pois conceito por ela transmitido já está implícito em SSC.

Consciente de riscos, todo bdsmista é ao entrar para o prazer extremo pois sabe , mesmo novato( se não de todas, pelo menos de uma boa parte) de práticas que os envolvem. Prazer é extremo também pelo fator risco presente e a negociação serve para esmiúça-los.

A negociação em SSC nunca foi enumerar lista de técnicas,fantasias eróticas,tipos de contratos, regras de senzala e preferências pessoais somente.Nelas todos os atos, fatos e cuidados devem ser discutidos, combinados e seriamente acordados de ambas as partes

A passagem em que Garry disserta sobre o são da sigla SSC, me parece mal estruturado e dá margem a deformações de encomenda para quem em Bdsm quer fazer loucuras legitimado pelo risk-aware, dizendo “A parte “Sã” do SSC é muito subjetiva, ou seja o que me é são,para ti pode não ser.

Bem, aqui faço uma pausa para conceituação: Existem vários pontos de vista, mas a verdade é uma só. Verdade significa estar em harmonia com a forma correta de executar um ato ou proceder num fato. É quando a consciência humana concorda com o intelecto.

São quer dizer incólume; curado; ileso, sem defeito e salutar.Saudável portanto é toda ação ou fato que engloba esses predicados.A verdade do são é essa para qualquer ser humano. O ser humano por sua vaidade, anseia em ser diferente e se destacar dos demais em tudo.Para isso conta com lucubrações mentais como essa (a subjetividade do conceitode são)para justificar seus atos fora do que via de regra, é dito e racionalmente provado como melhor para si. Pode haver variações na saúde mental e orgânica humana, mas são raras exceções a regra (salvaguardando anomalias genéticas e doenças raras.)Existe sim o são e a verdade deste para nossa raça em geral.

Experimente negar uma regra simples e básica para todos: veja se sobrevive sem respirar... depois me conta, seja em sessão espírita, psicografia ou visão fantasmagórica.

São em bdsm é minimizar riscos e nas palavras do próprio Gary "fomentar a noção que desenvolvemos especialização, que para fazer o que fazemos do modo correto precisamos de habilidades desenvolvidas através de um processo similar de educação, treinamento e prática"

Para quem diz que bdsm é para só curtição espontânea, que sua onda é maximizar riscos ou que para jogo erótico não precisa faculdade de bdsm se sim apenas seguir seus dons naturais instintos, Volto a avisar.. nem na definição do rack, isso é procedimento válido.

Garry segue dizendo: “Consensual” é a essência, implica negociação, a qual implica ter a capacidade de distinguir fantasia da realidade, como também lidar responsavelmente com fatores de risco. Se você desconhece os fatores de risco, ou não sabe o que vai acontecer na realidade, então não sabe discernir no quê está consentindo. Uma negociação significativa tem sempre que acontecer no senso comum da realidade consensual.

A conceituação está correta mas cabe aqui um aparte. Nem tudo que é consensual é bom. Se por exemplo os parceiros acordam em ignorar parâmetros de segurança, expondo-se "sem rde" ao perigo,ambos estão embarcando em ação de imperícia que não fere o risk-aware ( pois ambos são cientes de estarem agindo fora da prevenção de riscos e das conseqüências disto), nem fere o consenso...mas estraçalha com o são e o seguro. Que o risco é inerente ao Bdsm e parte do que nos atrai nele é óbvio. Porém operá-lo sem metodologia,estudo ou meios de contenção de acidentes é imperícia,insanidade e vício por adrenalina.

Garry finaliza : “A parte “kink” (perversão, tara) entrou para que ficasse um acrônimo interessante e porque SSC não nos diz sobre o quê você deveria ser SSC. Seria a Pesca de Truta Segura, Sã e Consensual? Fazer alusão ao rack, um instrumento de tortura, foi criticado, mas para mim isto significa nossa transformação de atrocidade em êxtase, e é admitir que apesar de gostarmos de algumas fantasias obscuras, nós as realizamos sem causar danos e consensualmente.”

Outra parte muito mal elaborada abrindo portas a quem entra na nossa Comunidade desejando de fazer vítimas. Junte isso aos conceitos individuais errados onde se distorce o Bdsm e temos escândalos,deformações das raízes que nos definem e caos.

A má intenção não tem fómula, pode vir atrás da face do bdsmista do SSC como do rack, mas favorece muito ter abrigo num conceito permissivo a divagações. O SSC não nos diz como deveria ser? Se Garry mesmo já deu a resposta:” administram isso identificando e minimizando o risco através do estudo, treino, técnica e prática”Basta usar bom senso ,pesquisar textos, os mais antigos e mentores,que se sabe como se deve atuar em SSC.

Perversão? A palavra em si significa corrupção. O conceito social é de “designar o desvio, por parte de um indivíduo ou grupo, de qualquer dos comportamentos humanos considerados normais e/ou ortodoxos para um determinado grupo social. Os conceitos de normalidade e anormalidade, no entanto, variam no tempo e no espaço, em função de várias circunstâncias.” (wikipédia)

Aqui voltamos a conceituação "Existem vários pontos de vista, mas a verdade é uma só". Em sexo, temos inúmeras formas de praticá-lo, senti-lo,exercê-lo e de percepção, mas a verdade é uma só: Desde que não venha ferir as leis e seja,são seguro e consensual, é valido. Então, não vejo como Bdsm como corrupção ou desvio de padrão normal de comportamento.A palavra kink é inadequada, pejorativa e em nada torna o acrônimo interessante. E depois se reclama do Bdsm estar em CID 10.Se muitos de nós vestem a carapuça de anormais, como nos verão os baunilhas?

“Rack significa a nossa transformação de atrocidade em êxtase” Nossa! Quase poético ... se não fosse a idéia totalmente aversiva ao Bdsm contida na palavra atrocidade que em si significa “ ação cruel, desumana, destrutiva e de teor monstruoso, onde se excede o concebível e o viável para a sociedade humana”

É... se a gente aceitar rótulos dourados feitos por praticantes do meio de que nós somos doentes mentais só porque são belas construções de frases, nunca seremos vistos e aceitos como saudáveis e sãos em nossas atividades pelos não praticantes, pelas leis e etc... outros.

Então essa história de rack ser uma releitura de SSC e do Bdsm,perdão, para meu pensar, é balela. Releitura significa a criação de algo a partir de outra já existente,acrescentando um toque pessoal e uma nova maneira de ver e sentir, sem que isso torne-se uma cópia.

Boa parte do que Garry conceitua como novo é o bom e velho SSC interpretado sem exageros fanáticos. Outra porção contendo seus acrésimos é inadequada desde conceituação a escolha de verbetes,deixando lacunas aceitando adulterações em diretrizes básicas do Bdsm. É um abrigo para gente boa? É, mas para os insensatos cometerem loucuras usando o nome do meio é prato cheio... ou seja seu toque pessoal foi um fiasco.

Sei e reconheço que Gary Switch tentou a partir de uma “sacação” sua servir a Comunidade para o benefício de todos. Contudo, seria bem mais útil ter feito texto tipo “O SSC sem lendas” do que inventar siglas e nomes que muitas vezes, em relação aos princípios do antigo conceito das três letrinhas , é trocar as palavras “bala de revólver” por “projétil de armamento de fogo”... ou seja, seis por meia dúzia. Com o agravante de deixar arestas de retórica ideais para quem quer justificar atrocidades como bdsm, agora com aval de sigla.

Na minha concepção, poor Gary, perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado.

Essa é minha opinião

Beijos

Domme Morrigan


rianah ldl :: rianah.ldl@hotmail.com

Saudações, Lista

Há tempos temos debatido as siglas SSC e RACK em encontros reais e virtuais, seja em pvt ou através do chat Nação BDSM. Mas realmente, o que me chama a atenção nisto tudo é o que cada pessoa entende por RACK. Então é esta faceta que irei abordar.

Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que somos, DONO e eu, praticantes e defensores da utilização do RACK, na medida em que o mesmo possa ser aplicado, ou seja, para não-iniciantes.

Explico o porque disto: RACK pressupõe estudo, pesquisa e algum tempo de prática. Entendemos que SSC seja uma forma mais amena de mostrar que o BDSM não é uma forma de doença, como prevê o CID10 e assim, um modo de verbalizar para a sociedade, de uma forma primária, o que seria o BDSM. Mais à frente, para os praticantes, que já estão mais familiarizados com as práticas, que já possuem uma vivência dentro do Universo BDSM, acreditamos que o termo RACK seja o mais apropriado. Abaixo, em apertada síntese o porque desta forma de ver o RACK e o SSC.

Concordo parcialmente com Domme Morrigan quando afirma que " O SSC é nosso sistema de prevenção para escolhas, é a definição de estratégias de regulação de riscos. Se você o descarta, está brincando com a vida das pessoas envolvidas no ato, esta maximizando aquelas condições humanas e ambientais desfavoráveis ao êxito de um projeto...ou seja, está brincando de roleta russa colocando em vez de uma bala no tambor, duas ou três a mais. Não é uma questão de "pode dar errado" mas de "quando vai dar errado", pois a falha e o acidente são favas contadas."

O SSC é o reconhecimento, a afirmação de que o praticado é São, Saudável e Consensual. Em que termos? O que foi feito para garantir que seja, realmente, SEGURO, principalmente? (não que haja 100% de garantia para alguma coisa).

RACK não é a exclusão de SSC, mas uma especialização nele. Em momento algum no texto de Gary SW, conhecido como o original (e neste momento traduzo "original" como o que deu origem), foi dito que vamos brincar de roleta russa; muito pelo contrário, Gary sugere que estejamos CIENTES dos riscos que corremos, que PESQUISEMOS e ESTUDEMOS a prática a ser feita, afim de minimizar os riscos, que sim, sabemos existir. "Eles administram isso identificando e minimizando o risco através do estudo, treino, técnica e prática. Acredito que este método funcionará melhor para nós, BDSMistas, do que afirmar que o que fazemos é seguro. Queremos fomentar a noção que desenvolvemos especializações, que para fazer o que fazemos, do modo correto preciamos de habilidades específicas, desenvolvidas através de um processo similar de educação, treinamento e prática."

O SSC comporta muito bem para um relacionamento D/s, ainda, no qual não temos nenhuma das partes sádica ou masoquista. Mas a partir do momento, que se tem práticas mais invasivas, como spanking, wax, fisting, suspension, shibari, entre muitas outras, a questão segurança prevista no SSC, passa meio ao largo, transforma-se em apenas uma expressão que não representa a realidade para estes praticantes.

Ser RACK não significa reconhecer que há riscos e simplesmente praticar, sabendo que um dia vai haver falha, e consequentemente, acidente. Entendo o RACK como complemento ao SSC, uma visão mais apurada de que há, sim, risco no que fazemos, e ao menos tentar nos cercar de todos os meios possíveis para minimizar o mesmo. Acreditamos que a idéia do autor do documento original não era apagar a idéia do SSC, mas sim trazer mais próximo à realidade que vivemos no mundo BDSM, onde o São, Seguro e Consensual já não mais traduzia perfeitamente, já não mais comportava o BDSM como em um todo.

Outro aspecto importante a ser ressaltado com relação ao RACK é o entendimento de CONSENSUALIDADE, a saber, como divisão da responsabilidade entre TOP e bottom, mesmo que esta não seja, claro, em proporções iguais: pelo fato de ambas as partes conhecerem os riscos envolvidos, estudarem e se prepararem para a cena, e não somente o/a bottom afirmar "conheço os riscos envolvidos e aceito". Este ato de preparação, ao meu ver, é a consensualidade maior, a real cumplicidade entre parceiros.

Mais uma vez, citando Gary Sw, para poder tecer meus comentários em seguida: "A negociação não pode ser válida sem o prévio conhecimento de possíveis riscos envolvidos na atividade que está sendo negociada. “Risk-aware” (consciente do risco) significa que ambos os lados da negociação estudaram as atividades propostas, estão informados sobre os riscos envolvidos e concordam no modo de como administrá-los. Daí “risk-aware” ao invés de “seguro”." (...) "“Consensual” é a essência, implica negociação, a qual implica ter a capacidade de distinguir fantasia da realidade, como também lidar responsavelmente com fatores de risco. Se você desconhece os fatores de risco, ou não sabe o que vai acontecer na realidade, então não sabe discernir no que está consentindo. Uma negociação significativa tem sempre que acontecer no senso comum da realidade consensual."

Portanto, de forma alguma RACK deve ser reconhecido como uma forma de "viver perigosamente" onde se descarta toda e qualquer chance de se cercar de cuidados para que a cena possa ser mais proveitosa.

É a N/nossa forma de ver...

Saudações.


{escravo_jr}_RS

Olá lista...

Me permitam tentar esclarecer minha opinião de forma mais clara pois me parece que fui um tanto quanto apressado anteriormente.

Então vejamos, nunca soube de lugar ou pessoa alguma que dissesse que a sigla SSC no contexto BDSM tenha a pretensão de significar : 100% São, 100% Seguro e 100% Consensual, é evidente que tal colocação seria absurda; e o que realmente a sigla quer dizer?

100% São : São , Saudável; é certo que em praticas de BDSM onde há a busca do prazer extremo não se pode dizer que todas as técnicas são 100% Saudáveis, ou então, um spanking, para dar um exemplo bem simples, não poderia deixar marcas, arranhões, hematomas; mas esses sintomas são transitórios, passageiros, o que quer dizer esse "S" é que não se deve ultrapassar o limite onde os danos se tornem permanentes, tanto físicos quanto os psicológicos. Para isso é preciso que ambas as partes conheçam-se entre si e a sí mesmos, isso demanda tempo, estudo, aprendizado e responsabilidade mútua ( ou seja, cai por terra aqui, no primeiro "S" da sigla, o papo de que no SSC apenas o TOP tem responsabilidade ).

100% Seguro : Sem risco algum? Nada na vida é 100% seguro, nem atravessar uma rua é 100% seguro, mas quando vc vai atravessa-la o que vc faz? Se vc for um adulto e no gozo de perfeita faculdade mental, provavelmente, irá procurar uma faixa de pedestres, esperar que o farol ou sinal fique verde para vc e ainda assim olhar para ambos os lados da via antes de fazer a travessia. E ao tomar essas atitudes o que vc está fazendo? Vc está minimizando os seus riscos, ainda assim eles existem, mas vc está tentando traze-los para uma faixa relativa de segurança. É isso que quer dizer o segundo "S" da sigla SSC, cercar-se de cuidados a fim de não correr riscos desnecessários, os riscos continuam a existir, e realmente eles trazem excitação aos envolvidos, porém de uma forma até onde se é possível administráveis. E se BDSM é um "jogo" para adultos mentalmente saudáveis e com capacidade de inteligência ao menos razoável é factível presumirmos que as partes envolvidas conversaram e firmaram contrato conhecendo esses riscos ( olha o tal de Risk-aware aí, consciente do risco ).

100% Consensual : Aqui tenho a dizer que a percentagem chega muito próximo disso mesmo, pois caso contrário seria crime. Mas posso dizer que uma relação D/s está 100% momentaneamente, pq ainda assim não diria que é totalmente 100%? Bem, numa negociação de contrato BDSM muitas vezes a parte A quer determinada prática que a parte B não se sente a vontade ( naquele momento ) com ela, e normalmente fica decidido que a parte A não usará tal pratica enquanto a parte B não estiver a vontade com a mesma, isso quer dizer que ao respeitar SSC o sub está mandando no TOP? Besteira das grandes!!! Isso nada mais é do que a superação de limites de forma Sã, Segura e Consensual, um dos principais objetivos em uma relação D/s. A partir do momento em que esse limite é superado, através de tempo, estudo, habilidade, confiança e conhecimento ele passa a ser corriqueiro para a dupla AB e então o contrato é reescrito; o que houve aqui? chegou-se a um consenso de que tal pratica não mais é desconfortável para A e nem B portanto ela passa a ser usada conscientemente por ambas as partes, ou seja, se têm consciência e de comum acordo passam a pratica-lá, passando assim a ser 100% Consensual.

Enfim o que quero dizer é que estou vendo uma cruzada insana em busca do prazer supremo, inatingível, é Rack, sub space, etc..., tudo isso para mim soa como uma roleta russa, onde se começa com uma bala no tambor e depois de um tempo já não é mais suficiente, o vício pela adrenalina e o risco desnecessário começa a pedir mais, e coloca-se 2 balas no tambor, daqui a pouco são 3 e assim suscetivamente até acontecer uma tragédia anunciada; algo em busca de uma liberdade absurda, com a necessidade de transgredir de ir além de ser o primeiro a atingir o inatingível, algo parecido com o que ocorreu nos anos 70 com a onda hippie onde se pregava o "paz e amor" e que veio trazido pelo uso de drogas e a liberdade confundida com libertinagem. A meu ver um caminho extremamente perigoso e que para muitos daquela época não teve volta.

O que me parece é que o tal do Gary tentou reescrever o SSC de forma a atingir uma gama de pessoas descontentes com suas escolhas, ou que ainda não entenderam o verdadeiro significado da sigla SSC, pois como disse anteriormente tudo está dentro do SSC basta conhecer e entender o seu verdadeiro significado.

Apenas expressando a minha opinião pessoal, sem com isso querer ofender ninguém, e principalmente respeitando a todos que de mim discordem, mas me vendo na obrigação de esclarecer alguns pontos.....

{escravo_jr}_RS
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