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Seção A R T I G O S
187: Opinião pessoal : Wysiwyg
Janeiro de 2009Fonte:http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=57894177&tid=5286122224657621216&na=2&nst=13
Interessante comentário expondo várias idéias visitantes |
A cada dia que passa tento enfiar na minha cabeça que devo para de escrever no orkut para dedicar mais tempo a outras coisas. Mas acabo lendo algum tópico interessante e acabo opinando quando vale a pena. Aqui não consegui resumir mais para expressar o que penso e acabei tomando um tempo com isto, mas abaixo vai o que penso sobre o assunto.
Fora de sessões - práticas imperceptíveis aos demais ou discretas
SM (Sadomasoquismo Consensual) não se resume somente a sessões ou cena convencional. Algo que tem a ver com SM pode estar ocorrendo diante de baunilhas ou não baunilhas sem que ninguém perceba ou não perceba claramente. Num cinema, num teatro, andando na rua, num barzinho, o SM pode estar em prática. A sub pode estar sob orientação, usando algo ou não usando algo, seja algo aparente ou não. Enfim, pode estar "rolando" algo, usando elementos convencionais ou não.
Pode-se solicitar à sub usar ou não usar algo que a cause algum embaraço, constrangimento, humilhação que tem sentido erótico, etc. Não vou entrar em detalhes explicativos, pois estes tipos de práticas são bastante particulares assim como os significados podem ser também particulares aos envolvidos.
Não é infrequente ouvir: 24/7 é ilusão porque é impossivel por exemplo dominar a sub em público, assistindo a um aniverssário ou numa festa baunilha. No caso, estas afirmações partem de quem se limite demais à cenas convencionais, ou que não entendem o que tento dizer no início.
Níveis de intensidade
Existem diferentes níveis de formalidade numa relação D/s. Muitas pessoas imaginam que 24/7 tem que ser nos níveis de História de Ó, ou erro maior, imagirnar que D/s perfeita é estar sob grilhões fisicos 24 horas por dia. A meu ver é impossível a submissão perfeitamente idealizada no moldes que acabo de citar, pois mulher tem psicologia, tem variação de hormônios, problemas ocasionais de saúde, etc. Enfim, a mulher não é robot programado para obedecer como a fantasia de 24/7 imagina e sim um ser humano que tem desejos eróticos.
Entretanto, é possivel a relação 24/7 dentro de contextos realisticos. Numa relação existem níveis de intensidade, ora mais intensos, ora menos intensos ou completamente informais.
Já comparei "gostar de SM" com "música". Ambos Dom e sub/escrava não precisam ficar tocando o tempo todo tocando ou se reafirmando dizendo que gostam disto o tempo todo ou andar o tempo todo carregando chicote e coleira física. Quem gosta de SM ou de música, creio eu que gosta até quando está totalmente descontraido ou longe do instrumento ou longe de local onde toca. A música também varia, tem hora que é mais vibrante e mais pesada, ora que é mais leve e descontraida.
Existem diferentes formas de ver SM. Se a pessoa vê SM com naturalidade, então ela pode ser SM o tempo todo. Se SM é visto como algo totalmente estranho e dissociado da pessoa ou da realidade cotidiana, algo que não se mistura como agua e azeite, ou algo que tras problema... ou especulando, algo impuro e sujo, que talvez no intimo ela não aceite em sí mesma, ou a envergonhe muito.... então talvez esteja aí a raiz da dificuldade de ver e "ser" SM com mais naturalidade.
Não vejo contradição na existência de sessões em relações tidas como 24/7Eu entendo que numa relação SM com dominação e submissão continuada (D/s), existem sessões sim.
Sessão é onde explicitamente, muitas vezes se atinge os maiores níveis de intensidade. É aquela hora em que se está afim de algo mais intenso. É aquela hora até mais cerimoniosa, onde comparando com música, os "músicos" se reunem para tocar com mais intensidade e as vezes com ambiencia inspiradora. Só que diferentemente da música por exemplo, as sessões mais intensas geralmente só tem 2 assistentes que são os próprios figurantes.
Minha ideia de SM é um tanto particular. Acho que Doms/Senhores podem ter seu universo lúdico também, que toma lugar sempre que quizerem nos momentos que chamam de "sessões" ou espaços de tempo onde uma atividade SM assume sua maior intensidade. Neste caso, as sessões seriam o climax das D/s 24/7.
E muitas vezes isto envolve ambiência psicológica e emocional (clima) e alguns elementos que tem alguma simbologia de personificação de poder do Dom e de submissão da sub. Vide Chicote e coleira.
Enfim, para quem aprecia ou valoriza alguns elementos do SM com alguns componentes ritualisticos, existe diferença entre usar isto ou aquilo. Muitos objetos que fazem parte de uma sessão, podem ter significado erótico para ambos. Enfim, depende das origens e raizes das fantasias e desejos, conscientes ou inconscientes, nas cabeças de cada pessoa. Exatamente por isto, algumas escravas se encantam com alguns tipos de homens Dominantes e suas idéias e outras não.
Entretanto, alguns jogos SM, feitos de forma imperceptivel, como disse no início, muitas vezes são extremamente intensos e excitantes também, só que com caracteristicas menos convencionais ou com "ritos" e orientações que estão mais longe do padrão que as pessoas imaginam. Eu já conduzi cena ou atividade SM em local baunilha sem que isto tivesse que ser explicito aos demais. O significado para mim e sub era erótico e totalmente SM.
Quais as práticas que definem se está havendo a Dominação e submissão, não havendo SM?
Se o Top usa um ambiente (emocional) envolvente onde um praticante impoe ao outro ordens e desejos (consensualmente e para o prazer de ambos), geralmente com um jogo imaginativo e fantasioso onde assume de forma intensa papeis de superioridade e poder sobre a outra pessoa principalmente no plano erótico (mental / emocional) então o Top é um Dominador.
Se na relação não existe a existencia se superioridade e inferioridade no plano erótico (mental / emocional) então o Top é apenas Top. Um bondagista por exemplo, pode ser apenas Top e não dominador. Conheço submissa que não se considera escrava, e sim apenas bondagista. Então, tem Top bondagista que não é Dom.
Existe claramente submissas que não se consideram escravas. Se consideram mais apreciadoras de spanking em práticas momentâneas. Não verdade elas se submetem ao controle momentaneamente de um ou mais Tops e podem não ter Dono ou relação D/s. São apenas praticantes de SM físico. Não gosto de separar masoquista de submissa, pois toda submissa no meu entender é masoquista. Não sei de onde tiraram que masoquista é apenas quem se submete fisicamente. Pois masoquismo remete a gosto por submeter-se a estimulos fisicos ou emocionais (humilhações eróticas). Embora possa existir quem gosta somente da parte física, muitas submissas gostam de ambas as faces do SM (fisico e emocional) embora o grau com que cada uma gosta, é diferente de pessoa para pessoa.
Quanto às praticas que definem se existem dominação submissão, e não apenas entrega de controle ao Top para atividades mais voltadas para práticas físicas, acredito que dependem do que as pessoas sentem. Muitas vezes isto é pessoal.
Mas voltando, existe a prática chamada Dominação, quando existe não apenas entrega de controle físico para práticas físicas. Em minha opinião existe Dominação quando existe hierarquia ou veneração, ou superioridade/inferioridade nas funções de cada um na relação continúa (D/s indo além das sessões) ou prática momentânea.
Até numa sessão momentânea ou avulsa pode existir Dominação e submissão momentânea, se exister claramente papeis de superioridade e inferioridade e não apenas entrega de controle para fazer atividades físicas.
Significado pessoal e interpretação pessoal
Entretanto, reitero. O significado para as pessoas podem ser diferentes, do que seria uma prática apenas física (apenas spanking puro por exemplo), para alguns pode ser "dominação" se no intimo eles sentem isto.
Geralmente, sob o ponto de vista de um SM (mais ritualistico), deve existir reverência por parte da submissa/escrava para com o seu Senhor ou Dono. Muitas vezes me utilizo de "eufemismos" ao dizer "conceder à submissa o direito de se ajoelhar para agradecer o spanking". Na verdade é uma obrigação, mas um Dom escolhe quem vai ser sua parceira submissa/escrava. Ele não é o escolhido. Uma pessoa hierarquicamente inferior não deve de antemão ir se ajoelhando diante da pessoa hierarquicamente mais alta. Deve antes aguardar ser sinalizada, ou até implorar se for esta a vontade do Dom, pois mesmo sendo uma obrigação, pode ser que a pessoa hierarquicamente superior não queira. (Falo aqui de superioridade e inferioridade dentro do jogo erotico da relação, e não de forma cultural)
Aí vem o cerne das D/s de cada um, que vem da origem dos desejos eróticos. Se a sub quer servir como "escrava", sentir-se como escrava ou não. Se o desejo dela é ser escrava de fato, ou quer apenas entrar num jogo de "rape consensual momentaneo", ou em certos casos até apenas numa saraivada de tapas e beijos. Ou apenas se imagina um bad girl sendo punida momentâneamente (em alguns casos, pode ser o que chamam ou intitulam de escrava rebelde)
Vamos supor que a fantasia erótica da sub seja apenas ser "maltratada à força" por um cara que faça o papel de um estrupador em sessões (obviamente e pela milesima vez, no sentido consensual do bdsm). Um cara que não seja "Dono dela", que ela não seja "Escrava do cara". Então neste caso, existe uma fantasia sadomasoquista, mas não um verdadeiro desejo de relação Master/Senhor & slavewoman/Escrava. Não existe uma HIERARQUIA, uma relação de Superioridade e Inferioridade no plano erótico. A origem da fantasia não tem a ver com "escravidão" ou "dominação e submissão".
Existe um confronto e incoerência na origem dos desejos que não se encaixam na definição dos termos.
Exatamente por existirem diferentes enfoques eróticos, algumas submissas gostam das ideias de alguns tipos de homens Dominantes e outras não gostam.
Muitas pessoas formatam o BDSM como relação de Dominação & Submissão apenas (Senhor&Escrava ou Master&slave). E eu na verdade prefiro esta relação. Mas eu entendo que este tipo de relação é apenas para quem quer, e não uma obrigação para todos. Que cada um se enquadre com sua parceira como quizer.
Exatamente por isto, acho eu, que aparecem as chamadas "escravas rebeldes" e até "cruzadas contra a liturgia", pois enfiaram na cabeça de todo mundo, que no BDSM todo mundo tem que se enquadrar na relação SenhorXescrava (Masterxslave).
Por outro lado vem a chamada "linha dura" ou extremo oposto, comandanda por escravas devotas das "Jonas D´Arc do BDSM" que juram não ter limites e que se preciso for vão para a fogueira, e um ou outro Dom que afirma ser capaz de dominar psicologicamente a mente de submissas até a 7 encarnação das mesmas e apresentam uma formatação de BDSM de forma quase religiosa e impessoal, com discurso semelhante ao de um pastor crédulo e determinado.
Sobre opiniões
Muitas vezes, quem além de fazer BDSM, tem também capacidade de opiniar. Para algumas pessoas isto é um "defeito", e algumas pessoas alegam que existe uma minoria que não opina, e que são guardiões do bom e velho BDSM, defensores do jeito que eles acham que deve ser. Bom e velho não sei da onde... pois só passaram a chamar Sadomasoquismo de BDSM de uns 10 anos para cá *rs
Entretanto, o que quero dizer é que, pelo menos eu, não tenha a pretensão de impor ou trazer verdades, apenas tenho a intenção de manifestar minha opinião. Eu escrevo apenas o meu BDSM.
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