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Seção A R T I G O S
175: Presidente da FIA no BDSM
Abril de 2008
Atualizado em Abril de 2009 - um ano depois |
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Escandalo feito pelo tablóide inglês "News of the world" Fonte: http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/Motor/0,,MUL389225-1311,00.html Outras fontes: http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=3051221&tid=2593123136763642911&start=1
Max Mosley: 'Não fiz nada errado' O texto abaixo foi transcrito do tópico do orkut, escrito por Wysiwyg. visitantes |
O dirigente entrou com processo contra o tablóide inglês "News of the world" por invadir sua privacidade. Mosley respondeu, em uma carta, ao Automóvel Clube da Alemanha (Adac) e disse que não vê razões para sair da presidência. Ele diz que tem o apoio de 20 membros da FIA e de 50 representantes de automóveis clubes. O site da revista inglesa "Autosport" divulgou a cópia da carta endereçada a Peter Meyer, presidente do Adac, e mandanda também a todos os membros da FIA. Confira a íntegra: "Se eu tivesse sido flagrado em alta velocidade em uma via pública ou acima do limite de álcool (mesmo na Suécia, onde ele é muito baixo), teria saído no mesmo dia. Mas neste caso, um tablóide sensacionalista obteve de maneira ilegal fotos de algo que fiz na esfera privada. Apesar de ser considerada inaceitável por algumas pessoas, foi inofensiva e completamente legal. Muitas pessoas fazem coisas em seus quartos ou têm hábitos pessoais que alguns acham repugnantes." A acusação não deveria ser o que fiz, mas o fato de que se tornou público. Mas eu não tive participação nisso, embora tenha me esforçado para mantê-lo privado. Fui a vítima de uma conspiração nojenta. A conotação nazista é pura fabricação. Isso ficará claro quando a questão for julgada. O jornal inventou isso para apimentar sua história e usar a história da minha família. Para resumir, não acho que eu tenha feito algo errado. Quem fez isso foi o jornal. Por isso, estou com um processo na Justiça. Não acho que isso deva abalar meu trabalho na segurança dos carros. Acredito que os adultos do século XXI não devam se preocupar com questões sexuais privadas, enquanto sejam legais e inofensivas. Colocarei meu ponto de vista na Assembléia da FIA."
Um ano depois ...
O dia 31 de março de 2008 está marcado na história do automobilismo mundial. E não por causa de algum acontecimento dentro da pista. Há exato um ano, o tablóide inglês "News Of The World" publicou em sua capa uma matéria flagrando o presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Max Mosley, em uma orgia com conotações nazistas, envolvendo cinco prostitutas. As fotos e videos do senhor de 68 anos batendo e apanhando das mulheres se espalharam rapidamente pelo mundo, arruinando a imagem de dirigente bem-sucedido que o inglês tinha. A partir de então, a vida de Mosley virou de cabeça para baixo: muitos pediram sua renúncia da presidência da entidade; alguns, até, chegaram a não recebê-lo em seus países. Isso sem falar nos estragos que o fato provocou em sua vida pessoal.Em entrevista ao jornal "The Times", o dirigente relatou o momento em que recebeu a ligação do assessor da FIA, Richard Woods, às 10 horas da manhã daquele domingo, em Londres. "Max, é Richard. Vou direto ao ponto: você viu a capa do "News Of The World" de hoje?", perguntou Woods."Não, por que?", questionou Max. "Eles têm uma reportagem de capa com o senhor como assunto. "Chefão da F-1 em uma orgia ao estilo nazista", esta é a manchete", continuou o assessor. "O que? Que maravilha", disse Mosley, que foi direto ao jornaleiro para ler a notícia e constatar que sua vida nunca mais seria a mesma. Poucos minutos após ver a capa do tablóide, o dirigente, constrangido, exibiu a reportagem à esposa, Jacqui Smith, e ao filho mais velho. "Foi, e ainda é, algo intensamente constrangedor", relatou. "Não tenho vergonha do que fiz, mas isso não significa que não fui humilhado em ser exposto na capa de um jornal de circulação nacional", continuou Max, que processou o "News of The World", com ganho de causa. "Se coloque na posição de meus dois filhos. Deve ser bem constrangedor ver o pai de alguém em fotos deste tipo. Além disso, há a vergonha diante de seus amigos, já que todos souberam o que aconteceu. Em uma escala de vergonha, não dá para imaginar nada pior." "Pense em minha esposa, também, tendo de lidar com a mesma realidade: toda a vez em que ela entra em um café ou um restaurante, todos sabem quem ela é", analisa. Mosley disse que ficou surpreso em ver seu outro lado revelado após 45 anos como praticante do sadomasoquismo. "O segredo e a confidência faz parte daquele mundo. E isso não é só comigo. As mulheres envolvidas também não contam para suas famílias". "As pessoas começam a praticar e, quando se dão conta, já estão envolvidas. Várias registram e fazem videos engraçados, mas é um mundo à parte, então suas famílias não veem. Claro, quando vai para a imprensa, se torna um grande desastre." "Em minha posição, fiz de tudo para ter absoluta certeza de que isso permaneceria secreto. Até passei a realizar menos entrevistas no meu país, para que as mulheres envolvidas não me reconhecessem. Foi impensável que isso seria revelado." Entre as declarações, Mosley se lembra de mais momentos daquele domingo."Liguei de volta para Richard [Woods], pedindo para ele acionar o advogado. E, logo depois, menos de 20 minutos após ver a notícia, me preocupei em mostrar o jornal para minha esposa. A reação imediata dela foi achar que eu estava brincando." "Ela disse: 'Isso não é verdade, né?', entre risadas. Aí respondi: 'É tudo verdade, pelo menos sobre o sadomasoquismo. Já a parte do nazismo é mentira'. E ela ficou chocada", contou. Casado há 48 anos com a mesma esposa, Mosley afirmou que o assunto divórcio nunca foi cogitado após o escândalo. "Estamos juntos desde a adolescência, já temos quase 50 anos de companheirismo, mas ela nunca soube deste lado da minha vida. Nunca sugeri isso com ela, ela não é deste tipo. Ela sempre me apoiou, mas ficou muito desapontada." "Ela não tem nada contra as pessoas que praticam isso, mas não queria que seu marido fosse uma delas. Acho que isso é completamente normal, e a questão de encerrar o casamento nunca surgiu. Desta forma, entendo como isso foi incômodo para ela." Max já sabe quem o entregou. A mulher que entregou a fita para o tablóide inglês foi, justamente, a que filmou a cena; ela participava das orgias há um certo tempo. As outras envolvidas, por sua vez, confirmaram que o jornal as chantagearam para saber mais notícias sobre o caso. Se não falassem, teriam as fotos publicadas sem tarjas em suas faces. "Uma das mulheres recebeu um texto de outra, afirmando que o reporter do "News Of The World", Neville Thurlbeck, a estava ameaçando de publicar fotos dela, caso não desse uma entrevista. A mesma coisa aconteceu com esta mulher, poucos minutos depois." A partir de então, o dirigente se engajou na luta contra a invasão de privacidade por parte da imprensa _principalmente a inglesa, famosa por casos polêmicos envolvendo celebridades e pessoas públicas. "Quando você entra em uma batalha, precisa condicionar sua mente. Nunca estive em uma guerra antes, mas eu imagino que, quando você é convocado, você vai; e quando você toma um tiro, você é atingido. É assim que me sinto. E vou continuar na luta." Pelo menos, Mosley já viu um lado bom: de todas as vezes em que foi parado na rua pelas pessoas, foi apenas para ouvir coisas boas. "Quando a [emissora] BBC veiculou uma história minha, 80% dos comentários foram positivos." Sua situação com a família, um ano depois, já está bem melhor. "Minha esposa pediu um tempo para pensar, mas agora ela já se recompôs. Meus filhos, que ficaram chocados inicialmente, me apoiaram muito. Eles são bastante liberais", continuou. Por fim, quando seu mandato na FIA for encerrado, em outubro, Max revelou que deve se engajar em uma ONG para a preservação dos direitos das pessoas. "Ainda não sei ao certo", afirmou. "Mas quero fazer a diferença para outras pessoas que tiverem seus direitos invadidos, não em termos de privacidade, mas em todo o espectro de liberdade pessoal. A tolerância para aqueles que escolheram viver de uma forma um pouco diferente da maioria é a pedra fundamental para uma sociedade civilizada", encerrou.
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