Se restava a alguém alguma dúvida, cientistas britânicos confirmaram, com provas matemáticas, o que parece evidente: a atriz de origem hispânica Jessica Alba tem proporções perfeitas.
Seção A R T I G O S
164:   Cintura fina: padrão de beleza que não é moda

Agosto de 2007

 

Pesquisadores da Universidade de Cambridge elaboraram uma fórmula matemática para medir o atrativo sexual feminino e suas possibilidades de andar sensualmente, que se baseia na proporção entre a largura da cintura e dos quadris.

E descobriram que a melhor relação cintura-quadris é 0.7, que é precisamente a que tem a protagonista de "Quarteto Fantástico".

É essa proporção a responsável pelas curvas da atriz serem tão sensuais e que Alba, de 26 anos, balance seus quadris dessa forma tão sexy, segundo o estudo, divulgado pela imprensa britânica.

Quase perfeita, sempre segundo essa fórmula, era a atriz Marilyn Monroe, que tinha uma proporção de um 0.69, enquanto a modelo britânica Kate Moss conta tem 0.67.

Curiosamente, Moss tem a mesma proporção que a atriz americana Eva Longoria, de origem hispânica da mesma forma que a californiana Jessica Alba. Outra beldade do cinema, a atriz Angelina Jolie, tem uma proporção de 0.75.

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Cintura fina: padrão de beleza que não é moda

A beleza feminina sempre foi celebrada através dos séculos, mas perdura a crença de que o que se considera atraente numa mulher não pode ser eternizado, dependendo da moda dominante, da cultura, da etnicidade e do gosto particular. Mas para psicólogos evolucionistas, a moda é apenas a cobertura tênue de uma força mais profunda e imutável, tão antiga e duradoura quanto nossos próprios genes: o impulso darwiniano pela sobrevivência e a atração por uma boa genética.

Na Inglaterra vitoriana, por exemplo, uma boca pequena era o máximo da beleza. Hoje, no entanto, a aparência de botão de rosa deu lugar nas culturas ocidentais à preferência por bocas grandes e volumosas. Em muitas sociedades, com o passar do tempo, o foco das zonas erógenas secundárias passou por tornozelos, pescoços e joelhos, com penteados que foram mudando de acordo com a moda.

A morfologia feminina desejada também mudou, em parte devido à prosperidade e ao avanço social das mulheres. Nos anos 1950, Marilyn Monroe era o modelo de beleza feminina. Hoje, ela seria convidada a assistir às reuniões dos Vigilantes do Peso. Assim, pode parecer que não existe um "padrão de beleza", que não existe uma referência permanente, apenas uma variação caótica e sem sentido. Mas este não é o caso, segundo psicólogos evolucionistas.

Para eles, a moda é apenas a cobertura tênue de uma força que é mais profunda, impiedosa e imutável, tão antiga e duradoura quanto os nossos genes: o impulso darwiniano pela sobrevivência e a atração pela boa genética. Em um teste inovador sobre as duas hipóteses controversas, cientistas das Universidades do Texas, em Austin, e da Universidade de Harvard, vasculharam três séculos de literatura em língua inglesa e três clássicos literários asiáticos de até dois mil anos.

Seu objetivo era responder à seguinte pergunta: que partes do corpo feminino eram enaltecidas como belas por escritores através dos tempos? Suas fontes foram um site na internet - Literature Online - no caso da literatura inglesa dos séculos XVI, XVII e XVIII; a poesia palaciana chinesa da sexta dinastia (dos séculos IV ao VI d.C.) e dois antigos épicos indianos, o Mahabharata e o Ramayana, dos séculos I ao III d.C..

Previsivelmente, seios, nádegas e coxas - as zonas erógenas primárias - foram muito citadas nestas descrições. Mas a cintura fina desbancou todas. Na literatura inglesa, descrições exaltadas de cinturas finas (uma cintura "tão estreita quanto um bastão", "preso à sua adorável cintura", etc.) apareceram 65 vezes contra 16 descrições românticas de seios, 12 de coxas e apenas 2 para quadris e nádegas, cada.

Mas antes que alguém denuncie preconceito contra o excesso de peso, a literatura demonstrou ser repleta de tributos românticos à gordura, mas relativamente poucos à magreza. O que conta, tanto para as gordas quanto para as magras, é a relativa estreiteza da cintura. Não foi encontrada uma única evocação de beleza em que o objeto de veneração tivesse uma barriga saliente.

Nas obras asiáticas, a cintura fina demonstrou ser ainda mais apreciada, embora não tenha sido encontrada nenhuma referência elogiosa à beleza arrendondada. Nos dois épicos indianos, a exaltação à cintura fina teve 35 menções, enquanto as outras partes do corpo reuniram um total de 26. Na poesia chinesa, a cintura fina foi evocada 17 vezes, enquanto seios, nádegas, quadris e coxas não foram citadas nenhuma vez; uma única referência romântica às pernas femininas tenha sido encontrada.

O estudo, que será publicado no jornal britânico Proceedings of the Royal Society B, defende que estas referências demonstram que a cintura fina é um objeto de desejo que supera o tempo e as culturas. Mas, por que isto ocorre? A resposta, segundo os autores, é que a cintura fina é sinal de boa saúde e fertilidade. Os homens instintivamente avaliam que mulheres com esta característica têm potencial para uma reprodução bem sucedida e, portanto, para perpetuar seus genes.

Pesquisas modernas estabeleceram um vínculo entre a obesidade abdominal e diminuição de estrogênio, uma fecundidade reduzida e um risco maior de desenvolver doenças sérias. Mas "mesmo sem o benefício do conhecimento médico moderno, tanto escritores asiáticos quanto britânicos intuíam o vínculo biológico entre saúde e beleza", afirmaram os autores do estudo, Devendra Singh, Peter Renn e Adrian Singh.

"Apesar da variação das descrições de beleza, a marca de saúde e fertilidade - a cintura fina - sempre foi um símbolo imutável de beleza feminina", concluíram.


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