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Seção A R T I G O S
Transcrito de "O Globo Online" de 24 de Feverreiro de 2005, sem permissão. |
24 de fevereiro de 2005 Quadrinhos de Carlos Zéfiro estarão nas bancas em março Logo da Coleção Carlos Zéfiro / Reprodução Rodrigo Pinto, Globo Online
RIO - Agora, você não precisa mais ler escondido. Esta frase estampará um dos cartazes de divulgação dos chamados "catecismos" de Carlos Zéfiro, as revistinhas de sacanagem dos anos 60 que estarão novamente nas bancas, em março, fiéis às edições originais (veja imagens aqui) . As centenas de histórias pornográficas que mudaram a cultura sexual no país estão sendo recuperadas e restauradas através de tecnologias mais modernas do que as que dispunha Alcides Caminha - este era o verdadeiro nome de Zéfiro (saiba quem ele foi) - em seu quarto proibido na casa em Anchieta, onde, segundo amigos, produzia suas histórias sem que a família soubesse. Dona da famosa banca carioca A Cena Muda, que negocia revistas e livros usados, Adda Di Guimarães decidiu comprar os direitos de reprodução dos catecismos - que receberam estes nomes, segundo especialistas, por serem comumente vendidos disfarçados dentro de publicações religiosas - porque "as pessoas enlouqueciam quando encontravam um dos exemplares à venda". E, já no mês que vem, reiniciará a republicação. - Não somente os homens enlouqueciam. Havia meninas entre as minhas melhores clientes - justifica Adda, que aposta na popularização de Zéfiro conquistada nos últimos anos (saiba mais aqui) para fazer com que as reedições ultrapassem o chamado universo "cult" e ganhem a popularidade original. A tiragem inicial dos novos catecismos será de 3 mil exemplares. No passado, os mais de 15 editores de Zéfiro costumavam fazer 15 mil exemplares de saída. Mas em alguns casos, segundo relatos do próprio autor, a venda bateu 30 mil exemplares. A reedição promete: - A diferença para os originais está na tentativa de padronização, que não existia. Para lançar um a cada 15 dias, tivemos que fazer adequações, mas sem interferir nos desenhos de Zéfiro - detalha Felipe Taborda, diretor de arte do projeto. O catecismos serão vendidos a R$ 12 e terão as mesmas 32 páginas das edições originais. O primeiro exemplar será 'A Cobra', que conta as aventuras de um rapaz bem proporcionado... O texto de apresentação será do jornalista Joaquim Ferreira dos Santos (leia) . Mas Adda e Taborda têm outros planos além de reeditar, nos próximos anos, os 862 livrinhos existentes.
- Vamos fazer algo como um livro de arte, sobre ele e a obra - adiantam.
Tendler abraça uma reprodução de um desenho de Zéfiro: 'zefiriano convicto' Os antigos e novos fãs podem esperar, ainda, por um filme sobre o quadrinista. O cineasta Silvio Tendler prepara há anos e promete para 2006 a realização de um longa-metragem sobre a vida de Zéfiro. - A vida dele foi interessante, um funcionário público que desenhava pornografia para se divertir e ganhar um dinheirinho e que, assim, acabou atingindo o imaginário masculino, embora eu conheça relatos de meninas que gostavam de ler - conta Tendler, que se diz "zefiriano convicto". Apesar de explicitamente pornográficas, as revistas do Zéfiro são tidas como ingênuas por quem as "usou como inspiração" na adolescência, caso de Tendler e Taborda: - Não há grosseria, não é uma coisa chula. Ele era um sacana sutil - brinca o cineasta.- Como o Joaquim (Ferreira dos Santos) escreveu no texto de apresentação, as meninas na época não davam. Zéfiro permitiu, de forma popular, uma liberação de libido - acrescenta Taborda. O próprio Zéfiro, quando questionado no início dos anos 90, disse considerar a pornografia nos moldes atuais a responsável pela banalização do sexo. Segundo ele, as histórias deviam ter início, meio e fim, como as dos catecismos. Quem foi Zéfiro24 de fevereiro de 2005 Versão on line CULTURA 23/02/2005 - 10h57m Quem foi Zéfiro Rodrigo Pinto - Globo Online
Zéfiro começou a desenhar após um amigo de bar - freqüentador do salão de sinuca na Praça Tiradentes - mostrar e pedir-lhe que ampliasse a revistinha italiana de sacanagem 'O Barbeiro do Rei', que se tornaria uma espécie de clássico da literatura erótica dos anos 60. Dali em diante, ele teria passado a criar as próprias histórias e desenhos, feitos sobre papel vegetal - que evitava o uso de fotolitos e, portanto, barateava a produção - e em bico de pena. - A mulher desconfiava, mas deixava pra lá - contou Zéfiro, durante uma Bienal de Quadrinhos, em 1991, poucos meses antes de morrer, em julho do ano seguinte, aos 71 anos de idade. Temendo perder o emprego, já que havia uma Lei, a 7.967, que regia o funcionalismo público e ameaçava de exoneração os que se envolvessem em escândalos, Alcides adotou o nome fictício. Ele só viria a assumir que era Carlos Zéfiro em 1991, em antológica entrevista à revista Playboy. Com a revelação, foi possível saber mais sobre o ator. Alcides admitiria em seus relatos que tinha casos extraconjugais e que também se baseou nas próprias experiências para escrever parte de suas histórias. Explicaria, ainda, que tirara 'Zéfiro' e um livro de história grega. 'Carlos' viera pela simpatia que tinham pelo nome. Desenhista "sem estilo", Carlos Zéfiro usou como modelos manuais de desenho dos 50. Por isso, os tipos que retrata não têm muito a ver com o brasileiro típico. Mas os temas eram parte do imaginário masculino nacional da época, com casos amorosos entre pessoas da mesma família, bem nos moldes de Nelson Rodrigues, e até entre religiosos e fiéis, em heresias inesgotáveis. Alcides Caminha também foi o autor de sambas conhecidos, como a parceria com Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito "A flor e o espinho". | Voltar | Site do Carcereiro | |
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